Painel Google Chrome OS
O anúncio oficial do blog do Google foi reproduzido e analisado infinitamente. O que considero mais importante é que teremos ali uma plataforma open source, cuja estrutura fundamental é o Linux. Todas as ressalvas à exclusão digital de vários níveis, quais sejam: alfabetização, alfabetização digital, energia elétrica, computador, banda larga. De qualquer forma esta discussão só parecerá relevante em alguns anos.
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Guia do Hardware
Dentro do anúncio é citado que o Chrome OS é “uma tentativa de reexaminar o que os sistemas operacionais devem ser“, o que é uma maneira pomposa de dizer que ele é baseado na idéia do Cloud computing, com integração com os serviços do Google.
Considerando que já possuem o sistema de e-mail mais usado (o Gmail), uma suíte de escritório (Google Docs), aplicativos de comunicação e relacionamento (Google Talk, Orkut) e até uma plataforma de streaming de mídia e TV digital (YouTube), sem falar no serviço de busca que é a espinha dorsal da Internet, a proposta faz sentido.
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CrunchGear – TechCrunch
Parafraseando Larry Ellison, “a web é o sistema operacional”.
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A declaração poderá mudar dramaticamente o mercado de sistemas operacionais, especialmente para a microsoft, do qual detém 90%.
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(Empresa responsável pelo Ubuntu Linux)
“Construir um sistema operacional amigável é mais difícil que adicionar funcionalidades a uma ferramenta de busca”.
Gerry Car, diretor de marketing da Canonical.
Esse pessoal não conhece criptografia?
Parece absurdo, mas alguém que aparentemente domina o mercado financeiro e a indústria de comunicação e fabricação de notícias que se tornou a “grande imprensa” ainda usa de artifícios rudimentares para ocultar sua identidade.
Segundo matéria publicada na folha <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u591667.shtml> Daniel Dantas se identificava como “Olhos Verdes Sensuais” nos emails que trocava com fins ilícitos ou pouco éticos.
Aham! Se apelidos, pseudônimos e alcunhas servissem para proteção da identidade o FERNANDINHO BEIRA-MAR nunca teria sido preso e o LULA nunca teria sido eleito.
Ferramentas de criptografia, como o firegpg, <http://pb.getfiregpg.org/s/home> usam o mecanismo de chaves públicas associadas a uma chave privada (uma senha) que impossibilita a leitura das mensagens por terceiros. Simples, fácil e importante mecanismo de proteção da privacidade e do princípio constitucional de não produzir prova contra si mesmo.
Se o DD conhecesse o firegpg teria evitado a mais recente denúnica do MPF. Fora o mico.
A BBC e o software livre
Matéria do dia 3 de julho na Click (coluna de informática da BBC), atesta o crescimento do número de usuários de software livre e de código aberto (entre 40 e 50 milhões), lança o tema à discussão e levanta alguns problemas que a tendência deverá encontrar pelo caminho.
Quem quiser ler o original, está aqui.
Bernie e Mosley, bons motivos para esquecer a fórmula 1
Fonte: The Times
Bernie Ecclestone, the Formula One chief, said yesterday that he preferred totalitarian regimes to democracies and praised Adolf Hitler for his ability to “get things done”.
Sobre Hitler: “In the end he got lost, so he wasn’t a very good dictator”.
“Politicians are too worried about elections,” he said. “We did a terrible thing when we supported the idea of getting rid of Saddam Hussein”.
Por outro lado, olha a ascendência do Max Mosley.
Mr Mosley, the son of Sir Oswald Mosley, the leader of the British Union of Fascists…
Das respostas, uma resume o que eu diria:
Stephen Pollard, Editor of the Jewish Chronicle, said: “Mr Ecclestone is either an idiot or morally repulsive. Either he has no idea how stupid and offensive his views are or he does and deserves to be held in contempt by all decent people.”
Que a fórmula 1 havia se tornado exclusivamente comercial, que representava unicamente os interesses de indústrias com prazo de validade próximo (carros com motor à combustão e extração de petroléo) a gente já sabia, mas líderes nazistas…
Distrações da derrota
Nelsinho e Barrichello fazem duelo por seguidores no Twitter.
Duvida? Link da fonte.
O doce e o salgado
Sarney é uma aula. Quando se trata de defender-se lembrou sua história, seus feitos, seu brilhantismo democrático e histórico benfazejo. Quando confrontado com as nomeações de parentes e omissões ao TRE culpou Heráclito e o contador.
Funciona assim: se cheirar bem é meu perfume, se feder é peido seu.
Quer dizer nada
Me lembrei de que esqueci seu nome
e tentei, cavando, reencontrar o sentido
esforço inútil
se na verdade me esqueci de tudo
Ainda não me entendo
mas já sei me explicar
e vem tempo e vai tempo
neste lugar
E tem tempo que a riqueza de lembrar
justificava a ignorãncia de saber
não que se saiba mais ou menos
sem entender por quê
A memória pacifica
porque constrói na gente
a ilusão da caminhada,
e, do nada, uma existência
Me lembrei de que esqueci seu nome
dolorido que tanto significava
e tudo mais quer dizer nada
Notícia em foco, uma crítica
A estrutura atual de comunicação de massas encontra-se viciada. Pior, seus vícios são conhecidos pela sociedade atenta, mas passam desapercebidos pelo público-alvo das publicações. Uma das deficiências mais claras é a dificuldade de se permitir a pluralidade ou ao menos, dar voz ao contraditório. O Notícia em Foco, da CBN, nesta semana, produziu um destes eventos que a pretexto de informar acabam, intencional ou acidentalmente, influenciando um ponto de vista que seja favorável à estrutura vigente.
O debate nem poderia sê-lo, visto que não havia interlocutores em defesa das novas tecnologias ou mídias sociais, e o que se viu foi um desfile de desinformação e assombro ante o fim da mídia impressa, tido como inevitável. Uma vez que, no programa, esta voz (necessária à existência do debate como tal) não foi ouvida, responderei eu as perguntas.
Tema: O papel do jornalismo de fiscalizar o poder e denunciar abusos está ameaçado?
O tema é, em si, falacioso visto que não há nenhuma garantia real de que os diversos veículos existentes sejam fiscalizadores e denunciadores isentos. Ou então a mesma pergunta caberia em diversos temas: dependência ecônomica; defesa de classe, corporativismo, interesse político, favorecimento. Porque todas estas questões já ameaçam a isenção e independência de qualquer veículo.
NF-CBN. O jornalismo está na categoria de espécie ameaçada?
Não acredito. Como Eugenio Bucci destacou, o que está em risco é um modelo de negócio fadado ao fracasso, em breve substituído por outro mais plural e democrático.
NF-CBN. A renda de internet é insuficiente para a manutenção do modelo.
Sim, que morra.
NF-CBN. O modelo que está em risco é o que possibilitou que a internet crescesse.
A afirmação de Marisa Tavares foi, no mínimo, mentirosa. O desenvolvimento tecnológico que resultou na internet que temos hoje nem de longe dependeu dos veículos de mídia impressa. A afirmação demonstra completo desconhecimento da estrutura técnica das ferramentas, das quais o jornalismo tradicional apenas fez uso.
NF-CBN. O “jornalismo” pela internet possibilitará, por ex., o envio de correspondentes internacionais ou seremos reféns do noticiário local?
Existe a possibilidade de que determinados modelos de negócios viabilizem o envio de correspondentes. A negação da afirmativa seria fatalista e infundada. O que é importante ressaltar, entretanto, é que a redução do número de intermediários entre os fatos e o leitor só pode ser vantajosa, visto que inúmeras e sucessivas interpretações e enganos tendem a desmontar a realidade objetiva. Deste ponto de vista reféns éramos há pouco tempo, porque dependíamos de agências e veículos em sucessão para nos trazer informação e atualmente podemos consultar in loco os acontecimentos. A cobertura independente do mais recente massacre israelense em Gaza é um exemplo.
NF-CBN. Se não é possível viabilizar economicamente o jornalismo investigativo, como ficamos?
Mais uma pergunta que tende mais à retórica do que a discussão coerente. Seria melhor formulada assim: Se os veículos de mídia impressa não puderem viabilizar economomicamente seu produto, como ficamos? Simples, não ficam, não há empresa sem lucro. O que também creio é que nunca faltarão investigadores, cidadãos atentos, remunerados ou não. Este monopólio da ética (que devido a sua própria natureza nunca pertenceu aos veículos de massa, convenhamos) é um recurso que busca a valorização dos meios em função de um suposto fim ou valor social. Mais uma vez, desacredito do monopólio da ética.
NF-CBN. Como o blog viverá sem ser alimentado pelos jornais, até para sustentar a audiência que tem hoje?
Já há diversos exemplos de veículos de internet que viabilizam seu produto por conta própria, sem depender do conteúdo dos jornais. Publicidade “relacionada ao tema” como o google ad-sense distancia anunciantes e expositores e é uma garantia de isenção. Este, no entanto, é só um exemplo e há diversos modelos viáveis. O que a pergunte esconde, antes mesmo de ser respondida, é a suposição de que não há blog com informação própria, o que é, de cara, uma mentira.
NF-CBN. Enquanto o jornalismo continuar a ver na internet um inimigo, estará condenado ao mesmo futuro da indústria fonográfica?
Sim. Na verdade não há salvação para este modelo; quer veja na internet um aliado ou não. A produção humana voltada ao meio desvinculou-se de seu conteúdo, e o que sobra é uma defesa burra do plástico (no caso da indústria fonográfica) e do papel (no caso da imprensa) enquanto o conteúdo (que é o que interessa) há muito sublimou-se.
NF-CBN. Quem paga os blogs, principalmente estes de linchamento virtual?
Embora não se deva tratar a exceção como a regra, vamos responder às duas questões.
As diversas plataformas gratuitas de comunicação (blogger, blogspot, wordpress, etc) têm cada uma seu próprio modelo de viabilidade econômica. E estão funcionando!
Quanto aos crimes de injúria, difamação, ofensa à dignidade, privacidade, ou quaisquer ofensas cíveis ou criminais terão seus responsáveis punidos nos termos da lei, como sempre, aliás.
NF-CBN. Qual o limite em que se vira refém de uma corrente de boatos?
A pergunta já foi respondida, com suficiente propriedade, acima.
NF-CBN. O incentivo do poder público não seria uma saída? Seria a BBC um modelo viável?
Há vários modelos em discussão. Todos eles mais ou menos viáveis, de acordo com a escolha dos empreendedores.
Há os modelos não-lucrativos, como o do cidadão informado e interessado, ou o jornalismo comunitário, agências independentes, etc.
Há os modelos de negócio mais tradicionais, vivendo de doações, marketing indireto, ou até mesmo as tradicionais assinaturas.
Enfim, essa discussão é irrelevante. Sempre haverá alguém com criatividade suficiente de desenvolver um modelo viável que se adapte a seus interesses ou objetivos. O que aparenta ser regra geral, todavia, é que esses modelos de negócios trabalham sempre com expectativas de investimento e retorno do capital exponencialmente mais baixas que a mídia impressa. Por vários motivos.
NF-CBN. A imprensa escrita acabará desenvolvendo um modelo analítico.
A especialização e a análise são estratégias de todo veículo moderno. Percebeu-se que o “clínico geral” do noticioso é superficial e tende a irrelevância.
Citando Gay Talese,”…o governo usa a imprensa mais do que a imprensa usa o governo…”.
NF-CBN. Em alguns veículos de comunicação, a principal fonte de receita vem da publicidade do governo, como ser independente assim?
De fato, as fontes de financiamento são fatores fundamentais no aprisionamento ideológico dos diversos veículos. A restrição à publicidade estatal, entretanto, revela um desvio da compreensão do tema. Visto que o governo não é o único grande anunciante no país. Empresas de telefonia, redes de varejo, o agronegócio, todos eles detém parcelas de lealdade da imprensa e ameaçam sua credibilidade.
NF-CBN. O blog da Petrobras.
O tema já foi suficientemente discutido. A internet vibrando e a mídia impressa esperneando. Acho que se trata de um exemplo da restrição do número de intermediários e a valorização das fontes primárias, não-interpretativas e menos sujeitas a edições com interesses diversos do jornalismo isento.
NF-CBN. E em relação às notícias atualizadas no twitter não correm o risco de servir a interesses?
Repito-lhe a pergunta: e um jornalão, caro, lento e carregado de dependẽncias econômicas diversas, não corre o risco de servir à “interesses”?
O sucesso do blog da Petrobras
Que verifique-se a tendência, desde há algum tempo perceptível, de que as chamadas “mídias sociais” e sua aparente desorganização contribuirão para uma sociedade livre dos “formadores de opinião”.
A partir da criação das ferramentas de alimentação RSS cada leitor é o editor de seu próprio jornal. Cada um pode, livremente, escolher quais fontes lhe interessam e quantos intermediários inserir entre os fatos e as idéias.
Neste contexto alguma mente brilhante concebeu o blog da petrobras; se desde sempre precisou-se contar com o beneplácito das publicações tradicionais para a divulgação (Chateaubriend que o diga) de notícias, do mesmo modo dependia-se das mesmas publicações para consertar eventuais falhas (acidentais ou intencionais) na qualidade da informação.
O que se verifica, entretanto, é que os intermediários tradicionais, corporificados nos jornalões de que dispomos hoje são instrumentos poderosos na formação da opinão pública e o fazem seguindo uma ética particular. Afeita aos seus interesses e do seu grupo, interesses que raramente tangenciam o interesse público.
Com a criação da CPI e o foco inusitado surgido/criado sobre a Petrobras, a empresa viu nas mídias sociais um canal livre, aberto e sem intermediários entre si e o público interessado.
A Folha de S. Paulo enlouqueceu. Como assim? Uma das principais fontes de controvérsia e jogadas políticas saiu do meu controle? Eu não sou mais o único detentor de informações, de modo a poder editá-las como quiser, publicar apenas os comentários interessantes? Manipular a opinião pública?
Um dos cães da caça do jornal, Kennedy Alencar, um dos que tem permissão para escrever em primeira pessoa, redigiu um texto assustadoramente desencontrado. Quase um choramingo, o resmungo de quem, acostumado a roubar mangas, se vê sem árvores.
Felizmente a tendência é irreversível, parabéns à Petrobras e aos 140 mil acessos em pouquíssimo tempo. Vida curta aos jornalões.
Um comentário ofídico
Com o juiz Ali Mazloum remetendo o pedido de arquivamento ao Procurador-Geral para a propositura da ação penal contra o Protógenes e o Paulo Lacerda, sinto um cheiro de Operação Anaconda (dos idos de 2003 e 2004) no ar.
Os personagens estavam todos presentes: Gilmar Mendes (e seus habeas corpus discutíveis), Polícia Federal, os irmãos Mazloum e um sentimento de vingança esperando uma oportunidade.