Universo Fer

Setembro 29, 2008

Gpodder e vlc, uma dupla imbatível

Arquivado em: Internet, Linux — Fernando Leme @ 6:37 pm
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Se você usa linux. Procura informação, entretenimento, e mobilidade você acabou de encontrar uma dupla mais dinâmica que Batman e Robin.

Trata-se de Gpodder (leitor de podcasts) e do vlc (media player).

O Gpodder é um gestor de podcasts. Não toca nada, não procura, não vem pré-configurado. Ao invés disso ele presume que o que você precisa é de um centro para administrar seus próprios interesses. E isso ele é.

Adicionando uma fonte de podcast e clicando em adicionar, no canto inferior esquerdo, você tem uma nova fonte, que será imediatamente atualizada. Repita esta operação até se dar por satisfeito com a quantidade de informação adicionada.

Daí em diante, ctrl r recarrega todas as fontes em busca de atualizações e ctrl n baixa as novidades.
Aqui é importante pensar em qual “player” você vai usar. Nas preferências do gpodder (Podcast / Preferences; ou ctrl p) existe o shell command que decidirá qual aplicativo o gpodder vai chamar. Não me lembro do comando original que veio no programa, mas por algum motivo escolhi o vlc, por que é leve, sem frescura, e hábil a tocar inúmeros formatos de mídia.

O resultado é que hoje em dia eu ouço todos os podcasts que quero, incluindo videocasts e não perco um segundo assistindo jornais em que terceiros decidem o que eu vou ficar sabendo.

linha de comando para “ubuntu-based” distros:

sudo apt-get install gpodder vlc

Setembro 26, 2008

Abençoado Comitê

Arquivado em: sociedade — Fernando Leme @ 3:46 am

Em meio à crises econômicas, eleições americanas e insurreições na América Latina existe um outro descalabro sendo aos poucos descoberto e que precisa de mais espaço.

Trata-se da atuação do Tribunal de Contas em relação à organização e gastos do Comitê Olímpico Brasileiro quando dos Jogos Panamericanos de 2007.

Este podcast do Juca Kfouri é bastante elucidativo, principalmente numa época em que nos ressentimos da pobreza de nossos resultados olímpicos.

Juca Kfouri na CBN

Setembro 16, 2008

Biscoito fino

Arquivado em: Música — Fernando Leme @ 2:48 pm

“O século 20 só teve três tradições em música popular: a norte-americana, a brasileira e a caribenha, o resto é valsa”.

A frase acima é atribuída a Tom Jobim e se encaixa perfeitamente à obra que, como sempre um pouco tarde, acabei de descobrir.

Omara Portuondo e Maria Bethãnia são duas velhas conhecidas (sem piadinha, por favor). Conheci a primeira por causa do filme de Wim Wenders e Ry Cooder “Buena Vista Social Club”, sua trajetória pessoal de fazer inveja e sua imagem hasteando a bandeira cubana no Carneggie Hall lotado não me saem da cabeça. Maria Bethânia me foi apresentada como a irmã de Caetano, mas sempre seguiu trajetória mais coerente com seu timbre e personalidade. Ouvi mesmo um disco que me caiu às mãos que só tinha músicas do Roberto Carlos. E eu adorei.

Juntas, produziram aquilo que o selo responsável pelo lançamento promete: Um biscoito fino. O cd é incrivelmente delicado, bem produzido, limpo, calmo. Traz consigo a dignidade das tradições de Brasil e Cuba, seu histórico de escravidão e sua transcendência artística.

Tom Jobim tinha razão.

Setembro 12, 2008

Um capitalismo diferente

Arquivado em: sociedade — Fernando Leme @ 3:14 pm

Acompanhar as eleições norte-americanas é uma lição de como se comporta, funciona e pensa aquele país. A criação de espaços democráticos (sempre ameaçados pelos conglomerados de mídia) e a oportunidade de que ambos os lados se expressem sobre qualquer assunto é uma prova de paciência.

E embora o caminho seguido por eles seja particularmente imperfeito (com influências marcantes de poderes externos ao político, principalmente o econômico e militar) é crescente a possibilidade de que surja lá um novo capitalismo.

Por mais esquerdista que alguém seja há temas que escapam do viés ideológico e se depositam sobre um alicerce comum conquistado pela sociedade humana nos últimos séculos. Direitos humanos, liberdade, crescimento econômico, oportunidade e meio ambiente são exemplos de discussões que não se dão no plano das idéias. As ameaças a esses conceitos são concretas.

Neste mundo surgem Barack Obama e John McCain. No cenário político não polarizado dos Estados Unidos a disputa não poderia ser mais polarizada.

Enquanto o republicano esbraveja seu discurso cansado de família e patriotismo, incentiva (como única solução energética) que se cavem mais poços de petróleo, chama-se a si mesmo de herói de guerra e acena com a possibilidade de que a invasão no Iraque dure cem anos se necessário, seu oponente suscita um capitalismo diferente.

Lendo o plano de governo do Barack Obama você se dá conta de que há algo de novo na América. Existe uma busca por novas fontes de energia, soluções em software livre, aumento da abrangência e liberdade na internet, transparência e responsabilzação.

Quase bom demais pra ser verdade, este discurso do Obama em Berlim é demonstrativo de seu alicerce político:

“Estenderemos a mão às pessoas nos cantos esquecidos deste planeta, que há muito merecem dignidade e  prosperidade, através de segurança e justiça? É possível tirar da pobreza a criança de Bangladesh e proteger os refugiados do Chade e banir o crescimento da AIDS?

Lutaremos pelos direitos humanos do dissidente político em Burma? Do blogger iraniano ou do eleitor no Zimbábue? Daremos significado à frase “Nunca Mais” em Darfur? Descobriremos que não há exemplo maior que o projetado ao mundo por cada um de nossos países? Rejeitaremos tortura e nos submeteremos ao domínio da lei?

Daremos as boas-vindas a imigrantes de terras distintas e baniremos a discriminação contra aqueles que não se parecem conosco mas se preocupam como nós em manter a promessa da igualdade e oportunidade para todos?”

Isto vindo da metrópole é um sinal de que: ou o cinismo atingiu seu ápice ou há mesmo uma chance para o mundo.

Setembro 8, 2008

O monge e a prostituta

Arquivado em: Dá licença? — Fernando Leme @ 7:40 pm

No início não havia memória. Havia uma coexistência insalubre entre o monge e a prostituta. O monge era grato a ela com aquela devoção de cão sem dono. Irrefletida, gratuita, imoral.

Caminharia assim, sem cobrar nada, por anos a fio (como o fez enquanto ela o permitiu, aliás). Descrevia sua vida em parágrafos longos e, com palavras, tentava disfarçar o vazio da promessa que ela lhe fazia.

Foi aos poucos despindo-se de sua santidade, e enquanto desfrutava de sua presença e de seu sexo fácil, ignorava o caminho que o fez quem era. A trajetória que fizera dele monge imiscuía-se entre cheiro e tato. Paladar.

Acostumou-se à novidade e desistiu de deus. Suas limitações e regramentos não interessavam mais. Era outro, um pouco pior, menos honesto e mais covarde. Mais cruel e interesseiro, mais humano.

Mas se dava bem melhor com o mundo em volta e isso o fazia feliz. Conversava, com naturalidade e ausência de balizas surpreendentes. Nem tudo era ruim.

Era menos preconceituoso também. Passou a entender diferenças com a calma de quem suporta traições e desgostos; seguia em frente por que sabia que sua deusa burra faria dele um homem.

Foi quando se cansaram. Monoliticamente desviaram-se um do outro, e o monge, poderosíssimo, passou a caminhar sem rumar para os braços de sua prostituta. Inventou seu próprio destino e foi.

Neste dia nasceu o monstro. Ele era um caos de lembranças, sons, promessas e endorfina. Era mal educado também; surgia do nada em meio às discussões mais importantes, atrapalhava o foco; pulava em frente à televisão na hora do jornal. Cuspia na mesa sua retórica maluca na hora do café.
Com uma deficiência apenas: era pequeno e próximo, e sua presença mais marcante era subjugada quando enfrentava a realidade de um passado de ontem.

Mas enquanto o monge andava o monstro crescia. E a falta que sentia dela fazia dele um outro ser até que se deu conta de que, mesmo olhando para trás, não a via mais.

Sua defesa, a memória, passou a ser sua inimiga, por que desfazia a realidade para dar lugar ao que o monstro dizia. De repente a puta virou gente. Seu sarcasmo virava alegria e o sorriso de quem esgana se transformava no piscar de olhos de quem dá comida ao pobre.

O monge começou a sentir falta da mulher que havia abandonado, e para piorar, não sabia mais como a encontrar. Trazia consigo o monstro, que o queimava por dentro e indicava um caminho. Tortuoso, escuro e estranho, o caminho que o monstro lhe ditava parecia ser o único possível. Neste momento começou a duvidar: havia sido ele próprio a inventar seu destino ou isto havia sido a primeira artimanha do judas que carregava no corpo?

Decidiu ser como ela. Mas não tinha nem o talento nem o sexo da desgraçada. Não podia ser o mesmo, mas podia ser pior. Beber mais, foder mais, enganar mais. Sorria mentindo a quem lhe pedia abrigo e mentia sorrindo a quem encontrava nele proteção. Fez da superficialidade a regra e do transcendente - de onde viera - se envergonhava.

Desfez-se com tanta naturalidade e por tantos anos que o monstro - hoje um gigante - fez de sua nova existência vil, soturna e lacunosa, a regra. Qualquer integridade o desgostava.

Sua imagem, refletida no gigante a que dava abrigo, era a da pequenez da gente. A impossibilidade de mudar o que se quer e a realidade de nunca mais encontrá-la.

A imagem dela, por outro lado, virtuosa e pura, transformava-se no oposto daquela que conhecera. Virgem e discreta, sua prostituta resistia jovem ao passar dos anos. O quanto isto o embrutecia!

Olhava no espelho a cada dia sentindo-se mal por ser gente. Abominou o dia em que desceu da graça e despiu o hábito. Olhava no espelho só para perceber o quanto a vida - com suas estações de frio e calor impassíveis - enrugavam sua pele e jogavam na cara o fim próximo.

Se deu conta de que há muito não sorria; por que o sorriso era exclusivo daquela que partia, celestial e angélica, e dava às costas ao mortal.

Era outro. O tempo havia deixado nele todas as marcas que quisera; o monstro, hoje alicerce de sua sobrevida, era alimentado a cada dia com uma migalha de comentário aqui e ali. Com a sensação de que não havia mais nada a viver, que era de tudo sabedor e com a expectativa de encontrar, mais uma vez, o anjo que havia partido.

Foi quando ela apareceu. O monstro apavorado acorreu aos olhos para escurecê-los, disparou o coração e fez da boca uma terra seca. Mas não impediu que o monge a visse.

Puta e gente, não era nem de longe a imagem bela e etérea do passado. Havia envelhecido como ele, enegrecido como ele e sofrido do tempo a mesma erosão. Ao vê-la tão humana e falível - crível - sentiu escorrer dentro de si, como sangue lavado, o caldo do monstro gigante e belo.

Era de novo ele mesmo. Havia soterrado a história. Havia um ponto final.

Sorriu, de verdade desta vez.

Setembro 7, 2008

Réquiem de uma amizade

Arquivado em: Dá licença? — Fernando Leme @ 1:47 am

Distâncias desinteressam por que sempre é possível se comunicar, ouvir a voz, dizer de estar. No entanto ainda importa a presença, o abraço.

Detalhe insuspeito de personalidades com uma queda para o melodramático como a minha. Histórica e fundamental esta relação merece seu posto de mais longeva desta caminhada. E hoje a desço à urna e não olho a mortalha que a levará ao esquecimento.

Muito obrigado e Deus o abençoe.

Setembro 2, 2008

Pseudojuris

Arquivado em: Direito — Fernando Leme @ 8:34 pm

Elucubrações:

Recentemente publicou-se que a possibilidade de vigilância corporativa sobre o uso de email dos seus funcionários é legítima. Concordo, o entendimento é que o serviço de email em questão é para uso profissional e que, portanto, quem o usa não é a pessoa física Fulano de Tal - portador de direitos como intimidade e privacidade - mas o funcionário x, não alcançado pelos mesmos direitos.

Questão: O uso de qualquer meio telefônico ou eletrônico por qualquer servidor público não é análogo ao uso de email do funcionário de uma empresa? Quem usa o telefone, no gabinete público, é a pessoa Gilmar Mendes, ou o servidor público ora presidente do Supremo Tribunal Federal?

Em tempo; se a analogia se prova coerente, porque tanto alvoroço em torno do grampo no STF?

Não nos dizem que o Estado é um Midas, que publiciza tudo o  que toca? Ou é mentira, e só publiciza o que interessa, como disse Rubens Ricúpero?

Agosto 19, 2008

Barack Obama

Arquivado em: Política, sociedade — Fernando Leme @ 6:50 pm

Há um vídeo, feito por um artista americano intitulado Will.i.am, cheio de hosanas e aleluias. Mas traz consigo um discurso do Barack Obama, que, se pode soar pedante do ponto de vista literário, é genial do ponto de vista político.

http://www.youtube.com/watch?v=1yq0tMYPDJQ

E aqui está a tradução.

Existia uma crença escrita nos documentos que declaravam o destino de uma nação.
Sim, podemos.

Era sussurado por escravos e abolicionistas enquanto iluminaram o caminho para a liberdade
Sim, podemos.

Era a canção dos imigrantes que abandonaram praias distantes e de pioneiros que desbravaram o oeste contra a natureza impiedosa.
Sim, podemos.

Era o clamor de trabalhadores organizados, mulheres que conseguiram o direito ao voto; de um presidente que escolheu a lua como nossa nova fronteira, e de um rei que nos levou ao topo da montanha e apontou o caminho para a terra prometida.
Sim, podemos

Alcançaremos justiça e igualdade. Alcançaremos chance e prosperidade. Conseguiremos curar a nação. Conseguiremos reparar a nação.
Sim, podemos.

Sabemos que a batalha a frente será longa, mas lembrem-se sempre que não importa o que nos obste, nada interrompe o caminho de milhões de vozes querendo mudança.
Queremos mudança.

Um coro de cínicos nos disse que não podíamos. Conseguirão apenas falar mais alto e dissonantes.
Nos pediram que analisássemos a realidade. Fomos avisados sobre oferecer às pessoas desta nação falsas esperanças.

Mas na história incomum que fez a América, nunca houve falsas esperanças.

Hoje, a esperança da garotinha que frequenta uma escola em pedaços em Dillon é a mesma do garoto que cresce nas ruas de L.A. Lembraremos que há algo de errado na América; Que não estamos tão divididos quanto nossos políticos sugerem. Que somos um povo.

Começaremos o próximo grande capítulo da história americana, com três palavras que ecoarão de um oceano ao outro.

Sim, nós podemos.

Agosto 11, 2008

O ônus da prova

Arquivado em: Direito, Jornalismo — Fernando Leme @ 5:26 pm

A compreensão profana de conceitos jurídicos é legítima. Não faz sentido exigir do cidadão comum que entenda de pormenores técnicos e historicidades relativas a eles.

O uso de má-fé dos mesmos conceitos já não angaria tamanha boa vontade. Reinaldo Azevedo recentemente publicou um desafio ao presidente Lula: que ele deveria provar que é inimigo de Daniel Dantas.

Trata-se mais uma vez da retórica canalha do personagem de Veja. Aos que o vêem como tal, sem problemas, a questão é que há aqueles que enxergam no colunista tons de veracidade e acatam sua verborragia no discurso indignado da hora do café.

Ocorre que a retórica canalha esconde o fato de que a prova, em regra, cabe ao autor da acusação; e não o contrário. Delicadeza sutil demais quando o objetivo inicial é a bravata.

Julho 30, 2008

Blinking cursors

Arquivado em: Internet — Fernando Leme @ 6:05 pm
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Internet has nothing to say. And internet has anything to say, it depends on your ability to query it. The most important thing about internet is the fact that it leads you nowhere. You must first decide what you want and then go after it.

This is why Google has grown so important. The blinking cursor raises a whole understanding that you are able to know the things you want. It gives you freedom.

This freedom is fighting a menace these days. With the success of menu-oriented devices like ipods and iphones, everyones skills to digg what they want has been defeated by some kind of technology that says what you’re supposed to seek.

Main menus predicts people’s thoughts, and build everyones will into directed objects. A new kind of gatekeeper borns, and again it is a invisible one. Hidden behind the capability to do certain tasks easily, beautifull buttons keep users and creativity separated.

It’s nice that blinking cursors already exists, but everyones tendencies to relax and don’t think threatens it. Democracy nowadays passes through mastering comunications secrets and then, bringing them daylight.

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