Vamos deixar uma coisa clara: eu sou Obama, votaria nele vendado se pudesse ou precisasse.
1- Parece que o mundo, principalmente as relações entre países pobres e ricos quando da colonização e exploração mercantil anericana, não pode mais ser exposto da forma que o fez Eduardo Galeano. “Veias Abertas…” é um daqueles livros icônicos feitos com raiva à moda da criança que apanha por subir na árvore quando cai dela.
2- Tecnologia da comunicação é uma ferramenta de que não dispunhamos com tanta abundância e facilidade quanto agora. Assistir o último debate entre os candidatos à presidência americana expõe fraquezas invisíveis para o autor e descritor da colonização imperial ou comercial americana.
3- Estes debates expõem também, com assustadora clareza, o simulacro de democracia que se tornou a estrutura política americana. Inúmeros golpes certeiros não foram desferidos, e ambos os candidatos pretegem-se de descer à realidade da atuação federal que se resume, muito basicamente, à política externa, à escolha dos juízes da Suprema Corte e alguns financiamentos para programas federais postos em prática nos estados.
Existe, é claro, a estrutura bélica mais cara e tecnológica do mundo. Cujos contratos não são objeto de discussão e cuja limitação se restringe a sair do Iraque agora ou daqui a pouco. Pensando assim, o exército americano é a democracia definitiva.
4- Satisfaz o ego, entretanto, ver que os “líderes do mundo” discutem internamente. Grupos de interesse violentamente se opõem. McCain e Obama discutem a validade dos contratos tanto quanto Peru e o BNDES fariam agora.
5- O FMI poderia, sendo a instância econômica definitiva no que convencionou-se chamar de mundo moderno, ou pós New Deal, participar mais ativamente da crise que, nascendo norte-americana, se espalhou pelo mundo.
Tendo surgido e afetado, primeiramente, os países desenvolvidos a crise desfaz o alicerce teórico de existência do FMI; que é a presença de países-blocos estáveis, produtivos e em constante crescimento. A natureza da crise atual, e sua transformação numa “crise de confiança”, demonstra a fragilidade do sistema e apresenta uma possibilidade de reorganização dos agentes econômicos no mundo. Pena que aparentemente não estejamos prontos ainda para participar do processo.