Universo Fer

30/12/2008

A Palestina e o seu estado

Arquivado em: Política, Sociedade — Tags:, , , — Fernando Leme @ 2:25 am

Este blog se compadece com o sofrimento do povo palestino vítima dos ataques criminosos do Estado de Israel. O Holocausto não é uma licença tácita para o genocídio dos palestinos.

Enquanto a imprensa mundial e os organismos internacionais se enchem de dedos para tratar da volência de Israel, perpetua-se o processo de limpeza étnica empreendido com sucesso pelo mesmo povo que deveria bani-lo.

29/12/2008

Conclusões

Arquivado em: Jornalismo — Fernando Leme @ 5:33 pm

23/12/2008

Friid’s desperto

Arquivado em: Jornalismo — Fernando Leme @ 1:08 am

(Estudo nº 3)
Friids desperto

Enquanto venta, deus passeia. Como divergem céu e terra neste lugar!

O eslavo com a pele vermelha ouvia anjos gritando. Um vento quente jogava mais terra sobre o ardume enquanto um dos olhos abertos parecia ver redes saindo do mar, sem peixes e sem gente por perto. Muita água, muita sede.

Uma areia fina lhe entrava na boca, que por seca não a retinha, e o eslavo tossia talco filtrado na garganta. Mordia grãos, lixava o céu da boca com a língua. Pensava no ângulo das madeiras dispostas que via a sua frente às quais juntas chamamos, quando flutuam, barco, quando afundam, destino. É tudo uma questão de densidade, lembrava-se.

Um velho gigante estendia-se sobre suas costas, a imagem da África imensa lhe era apresentada e estendia as mãos de pai irredutível. O monte logo atrás resistira impassível aos últimos séculos de sua história mas assistia, inerte, o sorrateiro do mar lhe mordiscar a perna.

Um garoto aproximou-se; o que fazia aquele homem ali, dormente perdendo a pele sob o sol? Gritava qualquer coisa incompreensível mas parecia mais curioso do que mau. Chamava as outras crianças que, de longe (como cabe ao bom escarnecedor), riam da aberração que lhes surgia.

Aos tapas foram sendo afastadas do espetáculo mórbido por alguém maior, um adulto inquestionável. O movimento súbito do par de botas imenso que se lhe surgiu fê-lo mergulhar na escuridão. É sempre isso mesmo, divergência e densidade. E sempre dói.

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ps. É possível ver onde Friid’s infelizmente despertou. Abra este arquivo no Google Earth.

19/12/2008

Agradecimentos

Arquivado em: Direito, Dá licença? — Fernando Leme @ 3:53 am

We made it!

Então, o terceiro ano da faculdade de direito acabou e desta vez eu preciso fazer alguns agradecimentos.

Às pessoas que me mantém lá, antes de tudo. Aos meus amigos, em especial os mais especiais. À minha casa, que se manteve sóbria, calma e quieta enquanto eu me debatia contra minha própria incompetência, fazia minhas descobertas.

Às luzes todas.

Ao pessoal que aderiu ao grupo, que “out of nowhere”, foi minha fonte principal de informação e conteúdo. Ao Felipe, uma das grandes descobertas nesta vida, que se revelou assustadoramente presente, preparado, organizado e coerente. Nada vai me convencer de que não foi de propósito que você ficou nestas provas orais todas só para fazer companhia.

À drª Lúcia Baldy e ao Dr. Cagliari.

À moto, que me levou almoçar todos os dias. Ao café do Zé, que às dúzias me mantinha acordado durante a tarde. E ao meu linux-pc, que valentemente suportou horas ininterruptas de maus-tratos sem nunca travar, se infectar, cair ou engasgar; de modo que minha preocupação era o conteúdo, sempre, não o meio.

Descobri o que o Amyr Klink queria dizer quando escreveu que uma experiência solitária não se faz sozinho. E o fato de passar horas sozinho e sentado a fazer as mesmas coisas me deixou mais próximo de algumas pessoas.

Agora acho que vou desligar o computador e comprar um livro besta.

10/12/2008

A entrevista de Olavo

Arquivado em: Direito, Sociedade — Fernando Leme @ 1:46 am

A desafiadora lógica de Olavo de Carvalho

(entrevista dada ao JB não sei quando, mas também não me interessa, não é esse o meu foco. Meus comentários estão em itálico)

Qual seria o programa de um governo de direita no Brasil, hoje?
“Em primeiro lugar, ele teria um enfoque moral, religioso e tradicional. São valores e princípios gerais, veja bem, o governo não pode se meter a ser o grande moralista. O governo não deve educar ninguém nesse aspecto, são as entidades religiosas que devem se fortalecer e atuar.”
Não entendi; o enfoque do governo deve ser:
1- “Moral… mas o governo não pode se meter a ser o grande moralista”. A relação de adequação me escapa. Além disso, creio que a norma supra-legal de atividade do Estado seja a ética (própria das relações públicas), não a moral, própria das relações privadas.
2- “Religioso”. Mas religioso em qual sentido e principalmente, no sentido de qual religião? É possível ser pan-religioso? É preferível um Estado pan-religioso ou um Estado laico em que esse papo de religião seja escolha particular, de quem se interesse por ela?
3- “Tradicional”. Pode ser que eu concorde, pode ser que eu discorde. Depende de à qual tradição o prof. Olavo se refere. Podemos incluir na lista de tradições a seguir a tradição tribal indo-americana? A africana? Ou vamos ficar no papo de sempre dos senhores de cana e café?

“Em segundo lugar, a economia de mercado, que é a única que funciona. Não tem esse negócio de socialismo, intervenção do governo no mercado, isso não funciona. É só o governo meter a mão que a coisa vai para trás.”
Repita esta frase para qualquer governo, de qualquer país, que neste momento está intervindo em todas as economias, injetando no mercado bilhões de dólares de modo a devolver a ele um conceito abstrato como confiança. Ou, aparentemente, o princípio seja: não intervenha quando eu quero ganhar dinheiro, me financie quando eu estiver perdendo dinheiro.

Terceiro é educação clássica. Você tem que primeiro formar uma elite intelectual capaz de educar o restante do país. O governo vem com essa história de educar todo mundo, mas isso não funciona. Não é possível.
1-Qual o fundamento das afirmações? Fé por fé fico com a minha. Em que momento uma “elite intelectual” (seja lá o que isso for) terá compromisso de voltar às raízes e educar iletrados?
2- De qualquer forma, dinheiro público no Brasil já financia universidades que são a foz da elite econômica que consegue educar seus filhos.
3- O comentário soa a mim como a proposta da concentração de educação (como se não bastasse a de renda). Ou, mais maldosamente, já não que eu não consigo educar todo mundo, vou educar quem me interessa.

“Não é possível”.

Porquê não? Baseado em quê, com quais estatísticas e quais exemplos?

A educação então não deve ser para todos?
“Não. Educação é um processo irradiante, que vai por círculos concêntricos. Você educa dez, que educam cem, que educam mil, que educam um milhão e vai assim.”
Não sei não, mas quando do Delfim Neto ministro da economia do governo militar já contaram esta história de “espera o bolo crescer que depois a gente divide”.

Nem ao menos cuidar de erradicar o analfabetismo?
“Isso não adianta. Você vai investir um dinheiro maluco nisso e os caras vão sair todos analfabetos funcionais.”
De novo, baseado em quê?

“Porque se você não cria uma tradição de educação, a educação não pega. Se você não tem essa tradição, não tem o amor à cultura, ao conhecimento. A educação deve ser muito séria e começar por uma elite, que vai irradiando esse valor.”
Chegou onde eu temia. A estratégia de convencimento mais reles é nos fazer crer de nossa incompetência e inaptidão, e assim permitir que uma elite capaz e bem informada nos mostre o caminho.

“Quem vai dar a educação para todos?”
Todos. Ponto.

“A educação que se dá ao povo hoje não deveria ser dada a ninguém. Oferecer essa educação para meia dúzia de pessoas é um insulto. Para milhares, é um crime.”
Finalmente concordamos professor.

Conclusão
Diferentemente do que pareceu no decorrer do texto, eu não sou, a priori, contrário ao prof. Olavo. Senti, isso muito claramente, um desgostamento por determinadas escolhas e a falta de argumento técnico que justifique opções drásticas. Tudo soa muito superficial quando se discute proposições absolutas que escapam ao trabalho árduo e sem graça da análise do orçamento Estatal, da atividade do ministério público, da investigação dos crimes contra o patrimônio público e a defesa do interesse coletivo.

02/12/2008

Quando faz calor

Arquivado em: Dá licença? — Tags:, , , , — Fernando Leme @ 4:01 pm

(Estudo nº 2)

Na superfície esturricada sobraram restos da última (e breve) chuva. Felizmente todos compreenderam que a vida neste planeta só se faz possível subterraneamente; e ao nível da terra sobrou nada senão escombros de uma vida cansada e cancerígena.

No fim da madrugada, na hora em que todos finalmente vão para casa, resta o barulho dos últimos carros ao chegar na garagem. Pais, filhos, mães e sogras, filhos de seus pais e netos de si mesmos orgiasticamente se alimentam enquanto não conversam entre si porque faltam histórias para contar em casa, sobram nulidades para compartilhar em público.

Quando o sol nasce finalmente silenciam e deixam que o mundo se faça a si mesmo, sem natais e demais aniverários, estupidamente repetindo a história de tragédias individuais tacanhas.

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