Universo Fer

28/01/2009

A crise dos grandes jornais

Arquivado em: Jornalismo — Tags:, , — Fernando Leme @ 9:39 am

De repente, não mais que de repente, grandes jornais do mundo Ocidental entraram em crise financeira aguda. Entre eles o New York Times, ícone do capitalismo Ocidental, o El Pais, símbolo do novo expansionismo ibérico, o poderosos Chicago Tribune e o veterano Christian Science Monitor. Estão sem caixa. Alguns, venderam seus prédios, outros buscam injeções de capital, redações foram reduzidas à metade. O Christian Science Monitor deixou de vez a forma impressa, ficando só na internet.. Será o começo do fim da era dos grandes jornais?

Ignácio Ramonet apontou ,no Fórum de Mídia Livre desta segunda feira, para a estreita relação, quase que orgânica, entre o capital financeiro e os grande grupos de mídia. É como os bancos fornecessem o combustível dos conglomerados midiáticos. Quando advém ao estrangulamento do crédito, principal mecanismo desta crise depois do colapso dos grandes bancos americanos e alguns europeus, precipita-se uma situação de insolvência que já vinha tomando forma desde que a internet começou a comandar a dinâmica do jornalismo.

Para Ramonet , o aprofundamento e o espalhamento da recessão econômica, etapa seguinte desta crise, afeta profundamente o modo de produção da grande mídia, principalmente ao reduzir sua principal fonte de financiamento, a publicidade.

São três pauladas sucessivas na grande mídia impressa. Primeira paulada: o esvaziamento de suas funções pela interne, processo de natureza estrutural que deverá se aprofundar . Segunda paulada: o estrangulamento do crédito, fator apenas temporário mas que precipitou decisões radicais, algumas irreversíveis.Terceira paulada:a queda das receitas publicitários, que está apenas no começo , devendo perdurar pelo tempo das grandes recessões, em geral três a cinco anos.

Os grandes jornais já vinham sofrendo há muito tempo a erosão de suas funções editoriais principais, apontaram nessa mesma sessão do Fórum os jornalistas Pascual Serrano do site Rebellion, e Luiz Navarro, do La Jornada. Na invasão do Iraque, por exemplo, a grande mídia americana tornou-se uma disseminadora de mentiras geradas pelo governo. Com isso, negou sua função jornalística principal de asseverar verdades.Também perdeu sua função mediadora, na medida em que abandou a mediação dos grandes problemas que efetivamente interessam à população .E mais; perdeu legitimidade, perdeu autenticidade.

Conclusão: mais empresas e grupos midiáticos devem fechar jornais nos próximos meses. O novo príncipe, como Octavio Ianni definiu o poder midiáticos dos nossos tempos, está em crise existencial.

Bom para a democracia? Talvez não. Ruim com os grandes jornais, pior sem eles. A democracia de massa precisa meios de comunicação de massa para funções de mediação e agendamento do debate nacional e mundial, que a mídia pequena ou alternativa não tem escala para exercer.

O que interessa à democracia é que esse espaço, o da comunicação de massa seja habitado por uma mídia mais plural, mais comprometida com os valores humanos e menos com os ditames do capitalismo. Vários participantes desse debate apontaram para a necessidade do campo popular disputar a hegemonia da grande imprensa, com projetos de mesmo porte.

Também foram cobradas políticas publicas mais audazes de democratização do espaço midiático por parte dos novos governos da América do Sul. E mais empenho das entidades mais poderosas da sociedade civil na ocupação desse espaço. A hora é agora, quando a crise jogou os tycoons da comunicação na defensiva, e as novas tecnologias favorecem o pluralismo no espectro eletromagnético e barateiam a produção dos meios impressos.

Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).

27/01/2009

Dicas para sobreviver na gramática

Arquivado em: Dicas de gramática alheia — Tags:, , , — Fernando Leme @ 11:08 am

Do pedantismo

Dicas de redação para quem espera naturalidade na comunicação

1- Está criada a nova coluna do Universo Fer, “Dicas de gramática alheia” tem vários problemas:
Tem periodicidade ainda indefinida e tampouco já se adaptou às novas regras gramaticais. Resolveremos isso tão rápido quanto possível.

2- Dica de hoje: O pedantismo.
Diz-se do pedante como aquele que se expressa exibindo conhecimentos que não possui, o triste quanto a esse tipo é que ele só é desmascarado quando lido por alguém que de fato conheça o tema. Os demais passarão desapercebidos sobre a procissão de asneiras do pedante.

Isso acontece muito hoje em dia; Alexandre Pires se diz multi-instrumentista, garotos de 7 anos em programas de televisão massacrando uma bateria recebendo o prêmio de melhor sei-lá-o-que, o prof. Marins (!!!) é um palestrante respeitado, o jornal Cruzeiro do Sul é lido.
É triste, portanto, perceber que o pedantismo prospera.
Há, porém, pelo menos duas armadilhas que o pedante gosta de cair, por que supostamente estes recursos emprestam ao texto alguma erudição independente do conteúdo.

a) Inverter a ordem substantivo-adjetivo.
O pedante adora (mas adora) referir-se às coisas assim: fedido cocô, ilustre vagabundo, mole bunda, fartos seios, etc.

b) Nível
O pedante adora nível, nível para tudo. Nível para quem sobe, para quem desce, para quem segue em frente numa mesma altitude. O nível define o pedante.
Depois da excomunhão do “a nível de” (a cujo consenso quanto a sua impropriedade finalmente chegamos) o pedante ficou órfão da muleta que define tudo (a nível de preço do big mac) e passou a usar só nível. Nível pode, nível é legal, nível é bonito; essa paroxítona terminada em “l” que empresta à palavra cara de inglẽs resolve tudo.
Nível insuportável, nível excelente, o nível da campanha, como seu nível é baixo!

E quando mistura tudo então?
Inalcançável nível, insuportável nível e assim por diante.

Conclusão
Se você se deparar com estas características em algum lugar, fuja! Resumindo, se o texto se parece com discurso do Odorico Paraguaçu, uhm…

Pensa aqui, responde ali

Arquivado em: Dá licença? — Tags: — Fernando Leme @ 10:30 am

Tema 1
Fulano: ..nesse novo Barak Obama…
Eu: O nome do homem é Barack, não Barak. Barak é o Ehud, de Israel.
Fulano: Obrigado… aproveitarei, contudo, para não corrigir o texto. Se assim fizesse, além de tirar o sentido do solitário comentário objetivo que você fez, estaria eu admitindo e corroborando para que os erros nunca sejam, nunca aconteçam: mas eles acontecem. Sim, acontecem. (Graças a Deus erramos).
Eu: Algum desavisado pode ler e pensar assim: Pô, o cara não sabe nem o nome do Obama, vai palpitar em quê? É claro que a gente erra e com os meus erros, quando escapam, eu adoro correções.
(fim do papo)

(Pensamento: “estaria eu admitindo e corroborando para que os erros nunca sejam”.

Como assim? Não se pode corrigir erros de qualquer natureza por que eles são inerentes a atividade humana e, como tal, merecem respeito? Quem inventou isso? Morte aos revisores, a todos os professores de português e a todos aqueles que, uma vez na vida, usaram uma borracha)

Tema 2
Fulano: Fernando, parece que voce só consegue criticar aquilo que não foi escrito por vc, a grafia do nome de barack pouco importa, se comparada a profundidade que o texto propõe.
Eu: (silêncio fúnebre: impossível responder a isto)

Se fosse para responder, pensemos:

“…parece que você só consegue criticar aquilo que não foi escrito por vc”. Claro! Como eu vou criticar o que eu mesmo escrevo? Não é mais fácil corrigir?

“…a grafia do nome de barack pouco importa”. Está lançada a campanha “Jogue seu nome no lixo”. Difícil vai ficar para o pessoal do RG, do CPF…

Tema 3
Fulano: Não se esqueça da gafe que vc mesmo cometeu quando mostrou desconhecer (aquele artigo publicado aqui de) um dos grandes escritores da atualidade, Saramago…
Eu: não seja tão apressado. Meu espanto com aquele texto vinha exatamente do fato de conhecer e admirar o texto daquele gênio. E como julguei o texto mal escrito, duvidei que fosse dele. A única referẽncia de autoria que eu encontrei sobre este assunto foi um blog chamado “O Caderno de Saramago”, cuja prova de autoria do sujeito em questão é nenhuma. E eu acho estranho mesmo que seja dele. Quem leu qualquer coisa do Saramago tem dificuldade em reconhecer naqueles textos alguma semelhança com os escritos dele. Se alguém tiver alguma informação que me mostre o contrário, por favor, me diga.
(fim do papo)

Tema 4
Fulano: O Marketing de Obama trabalhou bem e fez com que o mundo o chamasse de “o primeiro presidente negro dos Estados Unidos”, o que naturalmente intensificou o número de votos…
Eu: O marketing da campanha de Obama não criou para ele o título de primeiro presidente negro. Ele é, de fato, o presidente e até onde eu vi, é negro.
Segundo, a maior descoberta da sua campanha, o uso sem precedentes da internet para possbilitar a criação de núcleos regionais independentes, arrecadação e uma estrutura de campanha de grassroots foi, isto sim, sua grande descoberta.
Fulano2: o fulano está plenamente certo, ele é de fato o primeiro presidente negro, mas isso foi usado e abusado pelo marketing para conquistar a simpatia do mundo,não tente negar isso.
Eu: me mostre um único comentário, texto, discurso ou sugestão provindo da campanha do Obama em que se diz: Vote e faça deste homem o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Porque eu também procurei esta informação e não achei, vai que você encontre.
(fim do papo)

Conclusão:
Democracia é isto! A gente concorda, a gente discorda. Mas o importante é poder discutir!

25/01/2009

Três problemas

Arquivado em: Jornalismo — Tags:, — Fernando Leme @ 1:40 am

Na luta com três problemas que eu mesmo inventei. Dois dependem basicamente da construção de soluções livres em ambientes econômicos distintos: um é para empresas públicas, o outro para empresas privadas.

O modelo de negócio dos dois deve ser específico, porém, não diferente de modo a impedir uma aproximação desejável em pouco tempo. E para o desenvolvimento dos dois planos eu tenho em mãos um grande livro: chama-se “Multidisciplinary Views to Open Source Software Business” e é a visão mais clara e de natureza empreendedora que vi até hoje tratando deste tema.

O terceiro é a pesquisa sobre governança digital em busca de transparência e responsabilidade jurídica dos gestores, que anda meio parada, mas retomará a vida nesta semana.

Vamos em frente!

23/01/2009

A Casa Branca e a Creative Commons

Arquivado em: Direito, Política — Fernando Leme @ 2:34 pm

A CC é a licença do material disponibilizado no site oficial da presidência americana.

Except where otherwise noted, third-party content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License. Visitors to this website agree to grant a non-exclusive, irrevocable, royalty-free license to the rest of the world for their submissions to Whitehouse.gov under the Creative Commons Attribution 3.0 License.

Quem quiser conferir o original, por favor: http://www.whitehouse.gov/copyright/ .

Isto vem ao encontro do que venho dizendo na teia e que será objeto do meu próximo livro.

Devo confessar; como falo sozinho sobre isso há anos, é agradável arranjar uma companhia deste tamanho.

Transparência e responsabilidade

Arquivado em: Direito, Política — Tags:, — Fernando Leme @ 12:28 pm

Um meio de criar governos confiáveis é atribuir-lhes responsabilidade, e um meio de atribuir-lhes responsabilidade é torna-los transparentes de modo que o povo americano possa saber exatamente onde as decisões estão sendo tomadas, como, e se seus interesses estão sendo levados em consideração.

As diretrizes que passei ao meu time sobre como lidar com o Ato da Liberdade de Informação (Freedom of Information Act) farão exatamente isso.

Há muito tempo existem segredos demais nesta cidade; as antigas regras diziam que se houver um único argumento defensável para não abrir informações para o público, elas deveriam permanecer secretas. Este tempo acabou.

Começando hoje, toda agência e departamento deste governo deve saber que esta administração caminha ao lado não daqueles que procuram esconder informação, mas do lado daqueles que a querem tornar pública.

Para ter certeza, temas como privacidade e segurança nacional serão tratados com o cuidado que exigem, mas o simples fato de que se tem o poder legal de manter algo em segredo, isso não significa que vocẽ deveria sempre usa-lo; O FIA é, talvez, o mais poderoso instrumento de que dispomos para tornar nosso governo honesto e transparente ao torna-lo juridicamente responsável, e eu espero que membros da minha administração não simplesmente se atenham à letra, mas também ao espírito desta lei.

Eu conduzirei a mim mesmo, como presidente, a um novo padrão de “openness” (é difícil traduzir esta palavra, pense em substantivos para aberto, disponível, descoberto, mas principalmente em transparência). Assim como, toda vez que o povo americano quiser saber sobre algo que eu ou outro presidente deseja ocultar, ter-se-a a obrigação de consultar o advogado-geral ou o conselho da Casa Branca cujo trabalho é de assegurar completa conformidade com o ordenamento jurídico: Informação não será oculta simplesmente por que eu assim o desejo, mas por que demais autoridades também acreditam que meu desejo é constitucionalmente fundamentado.

Deixem-me dizer tão simplesmente quanto possível:
Transparência e fundamentação legal serão os paradigmas desta presidência.

Aqueles que valem a pena

Arquivado em: Música — Tags:, — Fernando Leme @ 1:34 am

Procure por:

Gustavo Santaolalla, músico argentino;

Carlos Henrique Machado, músico brasileiro;

Idelber Avelar, professor universitário em Tulane.

20/01/2009

Da cultura dependente do Estado

Arquivado em: Política — Tags:, , — Fernando Leme @ 3:15 pm

Subsídios, patrocínios, leis de incentivo, direcionamento de verbas e demais métodos (diretos ou indiretos) de financiamento de cultura advindos do Estado têm se mostrado um meio de produzir cultura. Mas seria ele o mais eficaz? Quando deve o ente público imiscuir-se numa atividade privada?

As políticas públicas de natureza mais liberal abominam esta prática e entregam ao mercado a escolha dos meios que se provem mais eficientes e menos centralizados, de modo que cada agente, imerso em sua própria realidade, desenvolva soluções originais que permitam a distribuição des bens culturais que gerem interesse e possibilidade de retorno. Apresenta-se aqui, portanto, o argumento central da defesa do patrocínio estatal: A atividade cultural útil nem sempre é lucrativa.

Recentemente, um artigo publicado na Folha de S. Paulo e republicado no site “Cultura e Mercado” apresentou uma lista de dez medidas possíveis para um “pacote da indústria cultural” à semelhança dos pacotes de apoio à diversas atividades privadas por conta da corrente crise econômica. O texto, farto em conhecimento sobre a distribuição e manejo do dinheiro público, é uma aula de como se deve apropriar do interesse público em função do privado com objetivo de lucro em suposta defesa de um bem maior chamado cultura.

A cultura do espetáculo, esta em cuja defesa os argumentos primeiros se aproximam dos argumentos de qualquer atividade (de que gera empregos, movimenta a economia, etc.), usa como falácia suprema a tese que, sendo a cultura uma indústria ordinária que ainda gera valores (de cunho moral, artístico, etc) deveria ser a indústria definitiva, com lauto incentivo estatal e nenhuma transparência na alocação de recursos, dada a natureza espiritual, criadora, de seus sacerdotes.

Este parasitismo dos agentes culturais é revelador, dentre outras coisas, do atraso relativo em que se encontra esta indústria neste país. A relação complexa entre um artista que não sabe o que quer dizer com um público que não sabe ouvir gera uma atividade de custo elevado e conseqüentemente lucratividade reduzida; com um alto grau de entropia (entendida como a possibilidade de falha dos elementos envolvidos em qualquer etapa) que serve de espantalho a qualquer empreendedor sério não afeito às estripulias da falsa genialidade.

Vê-se um esforço do Estado em patrocinar, portanto, uma cultura da visibildade (grandes espetáculos à beira-mar, filmes de qualidade discutível distribuídos nacionalmente) que não gera valor cultural, mas uma classe dependente e escrava de soluções legais que implementem sua ausência criativa em lidar com seu próprio contexto, estratificada em uma rede de produtores que, a despeito de sua inépcia e inadaptação, se mostra favorecida nos descaminhos e sinuosidades das escolhas políticas.

Um entendimento pragmático do tema sugere que o investimento direto em cultura terá proporcionalmente mais rentabilidade quanto houver investimento em outras áreas, sendo estas precedentes dela na pirâmide de necessidades humanas. Pretendo com isso dizer que não haverá uma indústria de cultura fortalecida e independente sem educação pública de qualidade, saúde pública efetiva, inteligência na alocação dos centros empregadores e qualidade na distribuição de renda.

O que vier antes disso é improviso.

O que pretende, portanto e no mínimo, Leonardo Brant com sua defesa férrea dos patrocínios do Estado? Manter uma estrtura viciada, sempre em vias do colapso, para fugir dos grandes centros e vender sua consultoria pelo interior parece a resposta.

Blog no WordPress.com.