Universo Fer

29/05/2009

Um comentário ofídico

Arquivado em: Direito — Tags: — Fernando Leme @ 1:12 am

Com o juiz Ali Mazloum remetendo o pedido de arquivamento ao Procurador-Geral para a propositura da ação penal contra o Protógenes e o Paulo Lacerda, sinto um cheiro de Operação Anaconda (dos idos de 2003 e 2004) no ar.

Os personagens estavam todos presentes: Gilmar Mendes (e seus habeas corpus discutíveis), Polícia Federal, os irmãos Mazloum e um sentimento de vingança esperando uma oportunidade.

11/05/2009

Sobre teses e argumentos

Arquivado em: Sociedade — Tags:, — Fernando Leme @ 1:43 am

Eu tenho uma dívida com Sarah Palin. Provavelmente ela desaparecerá nos anais da história e portanto meu comentário tende à irrelevância, porém esta mulher foi a responsável por crises reiteradas de riso durante o segundo semestre de 2008 enquanto servia como pitbull de John McCain.

Agora é a vez de sua filha. Bristol Palin, surgida do escuro e tenebroso inverno ártico, vem nos brindar com seu escuro e tenebroso fio de raciocínio.

No começo deste ano, a mãe solteira de criação conservadora Bri-bri (já somos íntimos) disse numa entrevista que sugerir a abstinência aos jovens não era “nem um pouco realista” (not realistic at all, nas palavras dela).

Qual a minha surpresa ao descobrir em 07 de maio que Brisinha, chateada porque não pode mais passear tanto com os amigos e não tem mais tempo para cuidar do cabelo, está fazendo campanha pela abstinência.

O argumento oficial é o mesmo do Papa: Quem não faz sexo não engravida. Aham; quem não dorme, tem sono; quem não come, morre; tudo o que sobe, desce; quem não tem colírio…

Segue o féretro das obviedades enquanto eu espero a próxima gravidez da mini-Palin e o novo argumento para a mudança de tese.

Fonte

08/05/2009

Afrontas do Diogo

Arquivado em: Sociedade — Tags:, — Fernando Leme @ 4:42 pm

É preciso identificar nas manifestações de alguns o que é informação, o que é falácia e o que é provocação.

Diogo manifestou os três num de seus podcasts recentes quando, mais uma vez, decidiu falar sobre o fim da imprensa. Citando Rupert Murdoch, um dos deuses do jornalismo de direita, irresponsável e antiético, lembrou a todos que o número de exemplares de jornais impressos e a audiência dos canais noticiosos só faz cair. Sem citar cálculos nem dados, diz que em menos de 10 anos não haverá mais jornais.

É fácil entender porque Mainardi se incomoda com  fim da imprensa e o desenvolvimento de uma rede autônoma. O caráter de suas manifestações só se realiza quando distribuído massivamente. De que me interessará um reclamão pretensioso, com sotaque forçado mezzo Moóca mezzo Itália, se ele se tornar mais um dentre tantos?

Seu argumento só é útil porque se presta a justificar a revolta mais fútil, mais superficial, de quem se compraz com títulos como o de seu livro. O mérito, o raciocínio e o discurso (ferramentas fundamentais numa nova comuniação) talvez sejam ferramentas estranhas a seu mundo de privilégios e favorecimento.

Uma das soluções apresentadas por ele demonstra seu arrepio por motivações honestas. A saber, Mainardi repete o conselho de Murdoch ao dizer que sobreviverá a imprensa que falar mal do governo; sugere a existência de uma predominância de um “jornalismo chapa-branca”, cujo abastardamento se deve evitar para sobreviver.

Infelizmente não reconheço a existência de um jornalismo chapa-branca neste país (ao contrário, o vejo recheado de grampos inaudíveis e julgamentos sem provas) e tampouco acredito no embasamento ético de um que “fale mal” de outro por profissão; independentemente de seus méritos e consquistas.

Assim, se percebo Mainardi tão ansiosamente esperando o fim da imprensa, sugiro que respeite a si mesmo e vá lamber suas fontes italianas.

Manifestação em Brasília

Arquivado em: Direito — Tags: — Fernando Leme @ 4:10 pm

De Leandro Fortes

06_MHG_pais_velas_stfNão deixa de ser curioso constatar o clima de Baile da Ilha Fiscal que cercou, literalmente, a impressionante manifestação popular levada à cabo na noite de hoje, 6 de maio de 2009, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal, aqui em Brasília. Logo cedo, o ministro Gilmar Mendes, alvo dos manifestantes, mandou colocar cercas em todo o perímetro do STF com a inacreditável desculpa de que seria preciso preservar o ambiente para um evento noturno, a apresentação de um anuário jurídico publicado pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico. Chaer e Mendes são amigos, mais que amigos, fraternos aliados empenhados em uma simbiose ideológica travestida de relação jornalística. Difícil é definir quem é a fonte de quem.

Quis o destino que a tertúlia do Conjur, montada para dar um ar de naturalidade a uma noite de protestos anunciados, surtisse um efeito perversamente oposto, alçada que foi a farra a pano de fundo perfeito para as luzes de milhares de velas acesas em frente ao STF. Graças ao convescote, os manifestantes puderam perceber a presença física, ainda que à distância, de Gilmar Mendes. Àquela altura, o presidente do STF já estava amargamente arrependido de ter apostado no fracasso da manifestação. Mais cedo, ele havia relegado o movimento a uma ação de inimigos dos quais, em mais uma de suas declarações infelizes, disse se orgulhar. Com Mendes na mira, vieram as palavras de ordem, gritadas a pleno pulmão. Ele ouviu.

Coisa linda é uma manifestação noturna com 10 mil velas. Pelo menos duas mil pessoas passaram pela Praça dos Três Poderes para participar, olhar ou só constatar o que estava acontecendo em meio àquela alegre balbúrdia de luz. Os carros normalmente indiferentes ao rush da capital federal buzinavam, em apoio aos manifestantes. Pessoas desciam dos ônibus para prestar solidariedade. Ele viu.

Que ninguém se engane. Esta noite, algo se quebrou em Brasília.

02/05/2009

Dois Brasis

Arquivado em: Sociedade — Tags: — Fernando Leme @ 11:52 pm

Da Folha Online

MST acusa polícia de atear fogo em barracos de acampados na Paraíba

A ocupação da fazenda Cabeça de Boi, em Pocinhos, na Paraíba, por membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) acabou em confronto na madrugada deste sábado. Ao todo, sete pessoas foram detidas e barracos montados pelos acampados foram queimados.

Segundo Paulo Sérgio Alves da Silva, que é da direção do MST, aproximadamente 60 famílias ocuparam a fazenda por volta da meia-noite de hoje. Cerca de duas horas depois, policiais e “pistoleiros” contratados pelo dono da propriedade chegaram para retirar os sem terra do local.

Silva afirma que os policiais já entraram atirando e agredindo as pessoas que estavam na fazenda. “Só deu tempo de tirar as crianças e as mulheres de lá”, diz. Ele também acusa os policiais de incendiarem os barracos para intimidar os invasores.

O Capital

Arquivado em: Jornalismo — Tags: — Fernando Leme @ 11:34 pm

Talvez nada justifique, ou ainda tudo seja motivo para, uma leitura cuidadosa de Karl Marx. Nunca o fiz (embora tenha contato direito com o livro há pelo menos 14 anos) mas as menções mais recentes ao tema e ao autor me fizeram olhá-los com mais cuidado e reconsiderar sua atualidade e também por que, desididamente, enjoei de opiniões de terceiros, cada qual com seus interesses a defender.

Os livros, escritos no final dos anos de 1800, dependem de um mergulho histórico e um cuidado terminológico; fiquei feliz em descobrir que Marx foi estudante de Direito e compreendo seu interesse na interpretação da Economia Política. Convido a todos (os mais e os menos informados que eu) a colaborar na caminhada, sugerindo leituras complementares ou consertando possíveis desvios de interpretação. Temo a existência de vasto material posto à luz para provar a genialidade interpretativa e enciclopédica de seus autores e não com caráter puramente didático.

O fato é que conto com dois volumes em “mãos”, uma vaga idéia na cabeça e disposição para enfrentar a escalada. Criei uma categoria para os posts neste tema e começo hoje disponibilizando o arquivo que me servirá de base.

Marx – O Capital, vol. 1

Marx, O Capital, vol 2.

A máfia e a mídia

Arquivado em: Direito, Sociedade — Fernando Leme @ 2:21 pm

do portal g1
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1101613-5601,00-EMPRESARIO+PEDE+AO+CNJ+PUNICAO+A+JOAQUIM+BARBOSA+POR+CRITICAS+A+MENDES.html

G1O Portal de Notcias da Globo

28/04/09 – 17h29 – Atualizado em 28/04/09 – 18h10

Empresário pede ao CNJ punição a Joaquim Barbosa por críticas a Mendes

Luiz Eduardo Bottura pede afastamento de 30 dias para o ministro.
‘Isso não envolve apenas dois ministros, mas a imagem do país’, disse.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, durante debate sobre ‘Improbidade Administrativa’ nesta terça-feira, em Brasília (Foto: André Dusek/Agência Estado)

Um empresário paulista protocolou nesta terça-feira (28), no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma representação contra o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo foi a discussão travada na última quarta (22) entre Barbosa e o presidente da Corte, Gilmar Mendes.

Na ocasião, Barbosa acusou Mendes de estar “destruindo a Justiça deste país” e disse também que quando o presidente do STF se dirige a ele “não está falando com seus capangas de Mato Grosso”. Foi exatamente a expressão ‘capangas’, considerada desrespeitosa pelo empresário Luiz Eduardo Auricchio Bottura, que motivou a representação no CNJ.

Na ação, ele pede o afastamento do ministro de suas atividade no STF por 30 dias, sob o argumento de que Joaquim Barbosa teria cometido crime contra a segurança nacional. “Isso não envolve apenas dois ministros, mas a imagem do país parante ao mundo. Tem que se invetigar se tem capanga. Se tem, o ministro Gilmar Mendes deve ser punido, se não, o punido deve ser Joaquim. Na minha opinião, um dos dois tem que sair do Supremo”, disse o empresário do ramo de tecnologia, em entrevista ao G1.

Para Bottura, um ministro “tão experiente e que sabe que as sessões do STF são transmitidas ao vivo e cobertas pela imprensa de todo o Brasil com repercussão no mundo” não poderia perder o controle e fazer “insinuações de que o presidente do STF seria um ‘mafioso’, rodeado de capangas”.

Nos últimos meses, Eduardo Bottura ganhou destaque por entrar com dezenas de representações contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele acusa alguns magistrados do estado de tomaram decisões conforme o grau de relação com os advogados envolvidos nas causas. “Eu sou um patriota. Se vejo algo errado, em especial, que me ofende, pratico democracia”, explicou.

Procurada pelo G1, a assessoria do ministro Joaquim Barbosa disse que foi informada sobre a representação pela reportagem. Destacou ainda que Barbosa não vai se pronunciar sobre o assunto.

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Quem é “o empresário patriota”?
Do Cloaca News

GLOBO OMITE FICHA DE VIGARISTA EM NOTÍCIA CONTRA JOAQUIM BARBOSA





Para o portal G1, ele é um “empresário do ramo de tecnologia”. Na verdade, trata-se de um dos maiores estelionatários do país
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Neste exato momento, esta é uma das manchetes de capa do portal das Organizações Globo:
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“BATE-BOCA NO STF – Empresário pede ao CNJ punição a Joaquim Barbosa”
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Ao clicar aqui, você lerá que “um empresário paulista protocolou nesta terça-feira (28), no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma representação contra o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo foi a discussão travada na última quarta (22) entre Barbosa e o presidente da Corte, Gilmar Mendes”.
A “notícia” dá o nome completo desse grande brasileiro: Luiz Eduardo Auricchio Bottura. Diz o texto : “Nos últimos meses, Eduardo Bottura ganhou destaque por entrar com dezenas de representações contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele acusa alguns magistrados do estado de tomaram decisões conforme o grau de relação com os advogados envolvidos nas causas. “Eu sou um patriota. Se vejo algo errado, em especial, que me ofende, pratico democracia”, explicou.”
O que o brilhante jornalismo do maior grupo de comunicação do país não quis informar é que esse exemplar cidadão possui mais de 900 processos judiciais tramitando contra ele, por crimes como estelionato, contra a honra, extorsão, uso de documento falso, coação, denúncia caluniosa e falsidade ideológica.
Quis, porém, o destino que este Cloaca News encontrasse tal informação no insuspeito portal da TV Morena, membro da Rede Matogrossense de Televisão (RMT), uma das afiliadas da Rede Globo. Clique aqui para ler.
Em respeito aos nossos leitores, vamos nos abster de comentar essa maravilha. Mas, você pode meter bronca à vontade.
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ATUALIZAÇÃO – Quinta-feira, 10hA TV Morena, em gesto de solidariedade a Gilmar Mendes, retirou do ar a página do link acima. Não que vá fazer alguma diferença – afinal, a mesma notícia saiu em outros lugares -, mas, só de birra, aqui está ela novamente.

O nome da gripe

Arquivado em: Sociedade — Fernando Leme @ 2:18 pm

Fonte: Tutty Vasques

Cedendo a pressões dos fabricantes americanos de feijoada em lata, a Organização Mundial de Saúde decidiu mudar o nome da ‘gripe suína’ para ‘influenza A/H1N1’. Não deixa de ser uma atitude politicamente correta com o porco, mas, francamente, não podiam inventar um apelido menos complicado para consumo popular? A não ser que a idéia seja exatamente fazer a gente mudar de assunto para não se expor ao constrangimento de não lembrar o nome da gripe no meio da conversa.

O certo, entretanto, é que a denominação científica da OMS não vai colar nem por decreto. Pode virar ‘a gripe que não ousa dizer nome’, qualquer coisa, menos ‘influenza A/H1N1’. Se querem mesmo tirar o porco dessa enrascada, precisam criar denominação mais ao gosto da boca do povo. Houve um tempo em que minha mãe também tentou mudar o nome do câncer. Lá em casa, a gente só podia se referir ao mal como ‘a doença’. Melhor que ‘influenza A/H1N1’, né não?

Cloaca News e o Ombudsman de tudo

Arquivado em: Sociedade — Tags:, , , — Fernando Leme @ 1:56 am

Foi-se o tempo que coletar erros de jornais impressos era uma atividade divertida e que demonstrava, quando muito, desatenção ou depreparo do jornalista.

Agora que a “grande imprensa” especializou-se no factóide, na fraude e desinformação, uma resposta possível é do site Cloaca News, considerável reunião de bom humor e perspicácia em benefício de uma informação menos desequilibrada.

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