Universo Fer

08/05/2009

Afrontas do Diogo

Arquivado em: Sociedade — Tags:, — Fernando Leme @ 4:42 pm

É preciso identificar nas manifestações de alguns o que é informação, o que é falácia e o que é provocação.

Diogo manifestou os três num de seus podcasts recentes quando, mais uma vez, decidiu falar sobre o fim da imprensa. Citando Rupert Murdoch, um dos deuses do jornalismo de direita, irresponsável e antiético, lembrou a todos que o número de exemplares de jornais impressos e a audiência dos canais noticiosos só faz cair. Sem citar cálculos nem dados, diz que em menos de 10 anos não haverá mais jornais.

É fácil entender porque Mainardi se incomoda com  fim da imprensa e o desenvolvimento de uma rede autônoma. O caráter de suas manifestações só se realiza quando distribuído massivamente. De que me interessará um reclamão pretensioso, com sotaque forçado mezzo Moóca mezzo Itália, se ele se tornar mais um dentre tantos?

Seu argumento só é útil porque se presta a justificar a revolta mais fútil, mais superficial, de quem se compraz com títulos como o de seu livro. O mérito, o raciocínio e o discurso (ferramentas fundamentais numa nova comuniação) talvez sejam ferramentas estranhas a seu mundo de privilégios e favorecimento.

Uma das soluções apresentadas por ele demonstra seu arrepio por motivações honestas. A saber, Mainardi repete o conselho de Murdoch ao dizer que sobreviverá a imprensa que falar mal do governo; sugere a existência de uma predominância de um “jornalismo chapa-branca”, cujo abastardamento se deve evitar para sobreviver.

Infelizmente não reconheço a existência de um jornalismo chapa-branca neste país (ao contrário, o vejo recheado de grampos inaudíveis e julgamentos sem provas) e tampouco acredito no embasamento ético de um que “fale mal” de outro por profissão; independentemente de seus méritos e consquistas.

Assim, se percebo Mainardi tão ansiosamente esperando o fim da imprensa, sugiro que respeite a si mesmo e vá lamber suas fontes italianas.

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