Que verifique-se a tendência, desde há algum tempo perceptível, de que as chamadas “mídias sociais” e sua aparente desorganização contribuirão para uma sociedade livre dos “formadores de opinião”.
A partir da criação das ferramentas de alimentação RSS cada leitor é o editor de seu próprio jornal. Cada um pode, livremente, escolher quais fontes lhe interessam e quantos intermediários inserir entre os fatos e as idéias.
Neste contexto alguma mente brilhante concebeu o blog da petrobras; se desde sempre precisou-se contar com o beneplácito das publicações tradicionais para a divulgação (Chateaubriend que o diga) de notícias, do mesmo modo dependia-se das mesmas publicações para consertar eventuais falhas (acidentais ou intencionais) na qualidade da informação.
O que se verifica, entretanto, é que os intermediários tradicionais, corporificados nos jornalões de que dispomos hoje são instrumentos poderosos na formação da opinão pública e o fazem seguindo uma ética particular. Afeita aos seus interesses e do seu grupo, interesses que raramente tangenciam o interesse público.
Com a criação da CPI e o foco inusitado surgido/criado sobre a Petrobras, a empresa viu nas mídias sociais um canal livre, aberto e sem intermediários entre si e o público interessado.
A Folha de S. Paulo enlouqueceu. Como assim? Uma das principais fontes de controvérsia e jogadas políticas saiu do meu controle? Eu não sou mais o único detentor de informações, de modo a poder editá-las como quiser, publicar apenas os comentários interessantes? Manipular a opinião pública?
Um dos cães da caça do jornal, Kennedy Alencar, um dos que tem permissão para escrever em primeira pessoa, redigiu um texto assustadoramente desencontrado. Quase um choramingo, o resmungo de quem, acostumado a roubar mangas, se vê sem árvores.
Felizmente a tendência é irreversível, parabéns à Petrobras e aos 140 mil acessos em pouquíssimo tempo. Vida curta aos jornalões.