Não posso negar minha simpatia por modelos mais ágeis, menos centralizados e mais independentes que os utilizados pelos veículos que, desde que me lembro, existem. Assim, a partir de certo momento, passei a utilizar os meios tradicionais com restrição e cuidado na assimilação dos fatos. Visto que sua produção, exposição e repetição fazem parte do alicerce de pressões políticas divergentes do que entendo como o interesse público.
Recentemente a FSP publicou uma reportagem em que afirmava: “Petrobrás paga 203 mi a devedora da União”.
A “reportagem” induz a erro o leitor e transfere à Petrobras a responsabilidade sobre condutas alheias aos contratos firmados. A manobra foi esclarecida aqui.
Reconhecendo tratar de terreno pedregoso enquanto clama pela existência de um “movimento organizado”, Reinaldo Azevedo (vulgo cão-de-caça dos interesses corporativos da direita) inventa um método através do qual “o oficialismo tenta calar a imprensa”. Seria risível se não fosse lido por tanta gente e se não fosse contrário aos mesmos princípios que o mesmo Reinaldo Azevedo defende quando trata do golpe em Honduras ou da dupla Dantas-Mendes.
É o que costumo chamar de princípios seletivos, ou isonomia de interesses.
Afirma que “blogueiros a serviço do oficialismo” sem se dar conta de que a acusação depende de provas. Afirma também que a prática da publicação independente de informações é nefasta para o “jornalismo”. Embora do meu ponto de vista simplesmente atenda ao princípio do contraditório. O diversionismo e a tergiversação de Azevedo estão aqui.
Reconheço a existência de uma instância pré-judicial (perdão pela estranheza; pré-jurídica, antes dos tribunais).Não posso negar que esta possui métodos distintos do meu entendimento sobre a correição e análise dos julgamentos. Desta forma, e em respeito ao meus princípios, não posso considerar como “intimidação” QUALQUER tentativa de esclarecimento público prestada por qualquer um. Seja uma empresa ou um particular.
Esclarecimento este que sempre foi ora negado, ora desproporcional ao estrago causado pelo “jornalismo” de interesses.
Se há uma batalha pela credibilidade (e os lucros advindos dela, óbvio) seria produtivo se os grandes veículos divulgassem, em tempo real, seus contratos, seus fornecedores, seus anunciantes e o número de assinantes. Que tal?
Será que existiram também “movimentos organizados” pela abolição do carvão como matriz energética? Será que a propulsão animal foi vítima de um processo conspiratório? Será que o aquecimento global e o aumento dos raios UV foram deliberadamente produzidos pelos lobby do protetor solar? Cabe apresentar a série de teorias conspiratórias das quais o blogueiro de Veja poderia se ocupar e conclamar a imprensa a reagir.