Universo Fer

29/09/2009

Diplomacia de alto nível

Arquivado em: Sociedade — Tags:, , , , — Fernando Leme @ 2:35 am

Enquanto estamos ainda acompanhando como a uma novela os desdobramentos em Honduras, a diplomacia norte-americana da gestão Obama acabou de dar uma demonstração de organização, coerência e uso adequado dos serviços de inteligência.

Esta demonstração acabou por deixar claro que enquanto alguns trabalham, há os que preferem o palpite. Uma série de medidas tomadas pelo governo americano (de diversos níveis) foram alvo da grita da direita, que aqui no Brasil acusou Obama de  ser um “estagiário patético”. Os argumentos foram:

1. Render-se à pressão da Rússia na desistência da instalação do “escudo antímísseis” no leste europeu. Esse argumento nem precisa de contexto. O tal “escudo” caiu por um motivo simples: ele não funciona. Depois de quase dez anos e milhões de dólares em investimentos o protótipo a que se chegou simplesmente não serve como escudo. Sabe-se lá quantos anos e dólares mais seriam necessários para uma proteção efetiva. Obviamente a direita americana escolheu o argumento de que Obama estaria tornando a “América” menos segura. Argumento repetido pela matilha nacional.

2. Ser “manso” com o Irã. A verborragia belicista da administração Bush não conseguiu NENHUM resultado positivo no que diz respeito ao enriquecimento de urânio e possível construção de um artefato nuclear no Irã. Por outro lado, Ahmadinejad já está fragilizado por causa das dúvidas em relação ao processo que lhe outorgou mais um mandato e a possibilidade de diálogo com o Ocidente desmonta seu argumento reincidente de que Satã é o outro, e desta forma conseguir alguma coesão nacional. Bom, quando Satã estende a mão, a quem culpar?

3. Pregar um mundo sem armas nucleares. Não sei você, mas eu não pretendo morrer incinerado nem enfrentar um pós-guerra nuclear. De qualquer forma, estas declarações emprestam ao governo americano um ar de coerência e compromisso com a criação de um mundo menos violento (ou pelo menos sem extinção em massa). Além disso, a possibilidade de que armamento atômico caia nas mãos de extremistas é um risco grande demais (para qualquer país) e, portanto, pregar a não-proliferação e a diminuição do número dos artefatos já existentes é uma meta honrosa.

4. Ser condescendente com a canalha Hondurenha. Vale ressaltar que a “canalha” a que as críticas se referiam são o presidente deposto e seus seguidores. Em Honduras havia uma ordem constitucional em risco, cuja solução deveria se dar pelos canais democráticos. O golpe militar, seu arrepio por direitos e garantias fundamentais (que culminaram no estado de sítio em que o país se encontra hoje) são, em si, o fim da democracia hondurenha. A falácia extrema deste argumento é antiga: vamos acabar com a democracia para defendê-la.

5. Que se submete à discurseira cretina do aquecimento global. Quanto a isso tenho a dizer o seguinte: “O Ministério da Saúde adverte: feiura, burrice e maldade não tem limites”.

Somente depois desta série de medidas o governo Obama revelou as mais recentes fotografias de construções não-declaradas em solo iraniano que poderiam servir para o enriquecimento de urânio. Assim,  ao posicionar-se tão claramente naqueles temas, Obama conseguiu a simpatia da reticente Rússia quanto às possíveis sanções contra o governo iraniano (às quais sempre se opôs) e o apoio pessoal de Gordon Brown e Nicolas Sarkozy quanto à defesa clara da segurança internacional. Bingo!

Quem é patético mesmo?

21/09/2009

A tendência autoritária

Arquivado em: Internet, Sociedade — Fernando Leme @ 5:14 pm

Não sou condescendente com falta de cérebro. Não tenho paciência com gente mal educada. Numa discussão tenho obsessão pelos argumentos, pelo foco. E, acima de tudo, respeito pelo outro.

Minhas discussões são sempre sobre idéias. Quando, excepcionalmente, tratam de gente, o sujeito tem que estar ali para se defender. Quando não, passo.

Não compartilho da regra comumente utilizada para a definição de simpatias e antipatias. Coisa que as pessoas fazem usando seus próprios critérios de vantagem e favorecimento. Se, por um lado, isso deixa menos pessoas na minha lista telefônica, por outro me dá garantias suficientes de que o interesse mútuo é verdadeiro, sincero.

Há um tipo de gente desfrutando das liberdades individuais que, no entanto, tem um tendência autoritária incompatível com a realidade. Foi o que algumas conversas recentes indicaram.

Curiosamente, como já afirmei pelo twitter, as mesmas pessoas que fazem uso de sua “liberdade de expressão” são ávidas em condenar o exercício alheio do mesmo direito. A opinião, uma vez pensada, escrita, publicada e assinada, é um testamento de que se você diz o que quer, submete-se ao contraditório, a ter que ouvir o que os demais pensam sobre o mesmo assunto.

Basicamente: quem fala o que quer, ouve…

Será que isso é tão difícil de entender?

Não tenho paciência com burrice (principalmente a minha), grosseria e intolerância. Torço para que as pessoas cresçam e se permitam dividir razões.

No final das contas há os que ainda não decidiram se isto é a vida ou é um concurso de popularidade. Que aprendam a pensar! Ditadorezinhos de chapéu de palha e grama no vão dos dentes. Ruminar sujeito-verbo-predicado não dá à ninguém atestado de veracidade.

20/09/2009

Artha ou A descoberta de um dicionário inglês

Arquivado em: Linux — Tags:, , , — Fernando Leme @ 1:00 am
Artha ~ The Open Thesaurus. Screenshots

Artha is a free cross-platform English thesaurus that works completely off-line and is based on WordNet. It is released under the GNU General Public Licence version 2; hence you are free to copy/redistribute it. Stable releases for download are currently available for GNU/Linux; it is tested on major Desktop Environments like GNOME, KDE, Xfce, etc.

Os .debs para Debian-likes estão aqui.

Fonte: http://artha.sourceforge.net/wiki/index.php/Home.

13/09/2009

Talvezes

Arquivado em: Dá licença? — Fernando Leme @ 1:06 am

Talvez seja difícil ver-se cru. Rindo acho que ver-se cozido deve, no mínimo, doer. Mas a antítese foi sem querer.

Talvez difícil mesmo seja ouvir Bryan Adams o dia inteiro. Mas admito que é mais chato me ouvir resmungar frases sem efeito, que precisariam de pé e cabeça. Mas não as encontro.

Sei que todo mundo já disse isso. Mas hoje pensei o dia todo numa só construção: três palavras, indicativas, heterogêneas, sugestivas até. Criei dois ou três caminhos em volta delas de modo que seu sentido ampliara-se.

Largada lá em volta do rodeio que lhe criei a pobre frase viu-se transformada. Cozida no meio de tanta pretensão, sua imaginação e frescor originais haviam-na deixado.

Talvez eu devesse admitir que a frase é melhor do que eu. Talvez fosse melhor não rodear. Desistir dela sem essa obrigação de perfeição.

Mas na hora de escrevê-la crua, a esqueci. Faltou um elo que a despiu e desfez.

Talvez culpa da dificuldade de admitir o óbvio.

12/09/2009

Is Exaile a worthy alternative?

Arquivado em: Linux — Tags: — Fernando Leme @ 12:55 am

Exaile is a music player aiming to be similar to KDE’s Amarok, but for GTK+ and written in Python. It incorporates many of the cool things from Amarok (and other media players) like automatic fetching of album art, handling of large libraries, lyrics fetching, artist/album information via Wikipedia, Last.fm submission support, and optional iPod support via a plugin.
In addition, Exaile also includes a built-in SHOUTcast directory browser, tabbed playlists (so you can have more than one playlist open at a time), blacklisting of tracks (so they don’t get scanned into your library), downloading of guitar tablature from fretplay.com, and submitting played tracks on your iPod to Last.fm.

Resumindo, Adorei o bichinho.

09/09/2009

A ficção e a propaganda

Arquivado em: Música, Sociedade — Fernando Leme @ 11:32 pm

De que valeu, em suma, a suma lógica
Do máximo consumo de hoje em dia,
Duma bárbara marcha tecnológica
E da fé cega na tecnologia?

Há só um sentimento que é de dó e de
malogro…

Lenine – É Fogo

A superioridade mecânica sobre a falibilidade humana é uma constante subjacente à grande parte da produção de ficção científica. À parte os anos gloriosos de Júlio Verne e Exupery, inventar futuros para as máquinas foi a grande distração dos herdeiros de Asimov.

A aventura mítica de Star Wars foi o que me deu a dica de que a imaginação de como seria ou pareceria a tecnologia de alguns anos à frente quase sempre resultou verdadeira.

Estas imagens do futuro acabam criando as fronteiras que os tecnólogos procuram superar. Se parece risível que os botões gigantes em “O Império Contra-ataca” poderiam ser um objetivo sério é só prestar atenção em qualquer equipamento eletrônico da década de 80, com seus botões brilhantes. “Eu robô”, com sua semiopacidade clean já é a realidade de iphones e touchtables por aí.

A nova fronteira parece ser os monitores e discos de armazenamento transparentes de Minority Report. Fronteira que recebeu um incremento com a construção biológico-molecular-3D do “Exterminador do Futuro IV”; filme em que nossa modernidade plástica de páginas 2D na internet se vê obsoleta antes de consolidada.

Ao invés de restabelecer limites, a ficção presta-se ao papel fútil de criar novas imagens de desejo, onde a inventividade e a utilidade são acessórios da estética futurística. Máquinas fotográficas com um número interminável e inútil de megapixels (a não ser que alguém pretenda revelar fotos do cachorro ou do churrasco num outdoor), sistemas operacionais com necessidades infinitas de memória aleatória que, no bojo, não trazem nenhuma nova funcionalidade.

A realidade é que existe um número razoavelmente restrito de necessidades humanas solúveis neste modelo de produção e nesta organização do trabalho e a imaginação do futuro poderia nos servir de guia para o que de fato precisamos, não de peça publicitária travestida.

03/09/2009

Grand Finale

Arquivado em: Dá licença? — Tags: — Fernando Leme @ 3:21 am

(homem e mulher, sentados frente à frente, vestidos de qualquer jeito, fumando, música)

Ele – Que bom te ver de novo, faz exatamente um ano,  não?
Ela (sorrindo) – Faz. Porque foi que você fugiu? Foi decepcionante…
Ele – Não sei também, foi um recurso de defesa talvez. Eu precisava fugir da ascendência que você tem sobre mim. Seu sorriso e sua negação constante me fizeram descobrir o que eu tenho de pior em mim. Fiquei envergonhado, me senti infantil. Precisava ir embora.
Ela – Seu amigo não me contava nada. Perguntei inúmeras vezes sobre o que você estava fazendo. O máximo que eu recebia eram notícias vazias, roubadas, convites do facebook…
Ele (risos) – Como é que você está?
Ela – Minha vida virou de cabeça pra baixo. Estou indo embora desta vidinha medíocre. (acende mais um cigarro e aperta play de novo na música da Adriana) Descobri que não quero o mesmo que todo mundo. Descobri uns cistos na alma. Não quero ganhar dinheiro, não quero parecer importante. Acho que vou em menos de três meses.

(ele concorda)

Ele – Vai fazer o quê?
Ela – Sei lá. Trabalho voluntário, em outro país ou no interior.
Ele – Eu preciso conversar. Me perdi, deixei de ser quem eu achei que fosse. Posso deitar no seu colo?
Ela – Não.
Ele – Ah, ó, aqui ó, não vai incomodar. Pronto, já deitei. Então. Eu sempre fui bom em tudo e agora não consigo pagar as contas sem trocar os zeros e os cartões. Preciso de alguém pra conversar. Tenho uma proposta: que tal se nos próximos meses, antes de você ir embora, a gente se visse todos os dias? A gente podia assistir uns filmes, falar sobre coisas irrelevantes, sobre futebol…

(ela ri)

Ele – Eu adoro vocẽ. Deixa eu ver seus dedos curtos…
Ela – E sem unha…
Ele – Credo, ninguém é perfeito mesmo.
Ela – Te falei que virei ovolactovegetariana?

(ele sorri muito)

(mais um play)

Ele – Preciso te dar um presente antes de que você vá embora.

(silêncio)

Ele – Por sua causa eu descobri que todas minhas qualidades eram um jeito cretino de falsificar a verdade e me transformar no pior mentiroso do mundo… mentindo pra mim mesmo.
Ela – É. Falta muito pra você chegar onde quer?
Ele – Basicamente eu sou muito bom para aquilo que não me interessa. Inadequado para aquilo que dá dinheiro e incompetente para o que gostaria de fazer. Seu propósito é invejável.
Ela – Sei que é simplista, mas pelo jeito depende só de você mesmo.
Ele – Sempre depende só da gente. Preciso ir embora.
Ela – é…

(stop e um silêncio intencional, enquanto a fumaça esvaece)

Ele – Dá cá um abraço…

02/09/2009

Insatisfações

Arquivado em: Dá licença? — Fernando Leme @ 12:38 am

De lá pra cá não sei.

Caminho ao longo do canal,

faço longas cartas pra ninguém…

Há algo que jamais se esclareceu,

onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo

o leão que sempre cavalguei.

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