A invasão americana no Afeganistão completou ontem oito anos, consolidando-se como uma das mais longas, caras e improdutivas ações militares da história mundial, aproximando-se perigosamente do tempo total dispendido no Vietnã na década de 1960.
Neste período os EUA já gastaram um total de US$ 300 bilhões para financiar a permanência de suas tropas numa tresloucada tentativa de combater células terroristas internacionais numa guerra convencional, baseada no território de um Estado que há muito deixou de ser o “centro” irradiador da intelligentsia da Al-Qaeda.
A chamada “guerra contra o terrorismo” contribui, assim, para cavar mais fundo o assustador deficit das contas públicas norte-americanas (que neste momento se encontra na casa dos US$ 3 trilhões!!!), transformou o Afeganistão num país ainda mais devastado (competindo com Níger e Serra Leoa entre os piores IDH’s do mundo), cujo mandatário (Hamid Karzai) se vê às voltas com alegações de fraude nas eleições.
A dívida humana, entretanto, se acentua enquanto a ineficácia evidente da estratégia se impõe. Mais uma das dívidas insanáveis do poderio americano.