Porquê o Estadão escolheu este foco? Foi a primeira frase que me ocorreu ao ler a matéria intitulada “Micheletti conseguiu pressionar EUA a seu favor, diz jornal“. Será burrice, má-vontade, preguiça…
Há vários defeitos aí.
Egressos do mundo analógico, os jornais tradicionais, ainda que em suas versões online usam links muito, muito raramente. Obviamente é uma vantagem que este tipo de modelo ainda não descobriu (sejam quais forem os motivos), porque, do contrário, ficaria mais fácil auditar a afirmação dando uma olhada na fonte.
Ocorre que o foco do New York Times não tem sido este, e uma declaração desta natureza vinda daquele veículo seria bastante estranha. Veja, por exemplo, o lead de outra matéria do mesmo veículo:
The de facto Honduran government of Roberto Micheletti is listening to the wrong people. Since the military deposed the president, Manuel Zelaya, in June, Mr. Micheletti and his aides have received two American Congressional delegations — all Republicans — and they are getting additional free advice from former Republican officials who are clearly nostalgic for the cold war.
O que o Estadão parece ignorar é a fratura criada na sociedade americana após a eleição de Barack Obama em que a direita, na tentativa de legitimar-se, fortaleceu seus vínculos conservadores e cristãos; contrariando hoje toda e qualquer manifestação pública não só da figura do presidente, como das políticas de Estado. O que significa que o suposto apoio recebido pelo Micheletti não apenas não partiu do Estado americano como também não significa a expressão de um partido majoritário.
O que, por si, destrói a manchete. Não há pressão sobre o governo americano.