Deve ser por outro motivo que não a marca do filme ou da câmera, mas o que se apresenta aqui é uma combinação única entre as geografias física e humana que muda a luz, amplia o horizonte e apresenta um desafio de organização.
O Brasil, diferentemente de países desenvolvidos já no século passado, luta contra sua própria história. Processo no qual se identifica uma série infinda de tentativas de reproduzir aqui o manual de soluções bem-sucedido em organizações humanas senão diametralmente opostas pelo menos diferentes.
Evidenciamos assim, como a luz da BBC sobre Londres resulta noutra quando sobre São Paulo, a inadequação de soluções importadas tão estupidamente quanto uma tradução malfeita. O asfalto inglês funciona aqui tão mal quanto o livre mercado americano.
A escolha partidária (ou a agenda, o programa de um partido), portanto, significa optar entre caminhos distintos que vão do cinismo ao idealismo (com seus subestágios: ignorância, ganância ou corrupção mesmo). Significa aquiescer com antigos pactos e relações de confiança estabelecidos com critérios diversos.
Aguardo ansiosamente para descobrir o saldo da Administração Serra-Kassab no Estado de São Paulo, seu reflexo nos indicadores que lhes dizem respeito. Porque do ponto de vista da comunicação e do diálogo democrático já faliu. O porquinho do Serra ao tratar da “gripe suína” é um desrespeito, uma ofensa a uma sociedade pensante que o foco do governador nivela por baixo. A “lei antifumo” e a tendência à via delatória em todas as esferas da vigilância estatal denunciam um viés autoritário pouco coerente com sociedades democráticas modernas e com a própria abordagem econômica liberal que representam. Laissez faire ou não?
O “choque de gestão” prometido pelo PSDB e abraçado meio no susto pelo DEM poderia ser o único argumento de uma campanha presidencial da qual não gosto por antecipação.