Do pedantismo
Dicas de redação para quem espera naturalidade na comunicação
1- Está criada a nova coluna do Universo Fer, “Dicas de gramática alheia” tem vários problemas:
Tem periodicidade ainda indefinida e tampouco já se adaptou às novas regras gramaticais. Resolveremos isso tão rápido quanto possível.
2- Dica de hoje: O pedantismo.
Diz-se do pedante como aquele que se expressa exibindo conhecimentos que não possui, o triste quanto a esse tipo é que ele só é desmascarado quando lido por alguém que de fato conheça o tema. Os demais passarão desapercebidos sobre a procissão de asneiras do pedante.
Isso acontece muito hoje em dia; Alexandre Pires se diz multi-instrumentista, garotos de 7 anos em programas de televisão massacrando uma bateria recebendo o prêmio de melhor sei-lá-o-que, o prof. Marins (!!!) é um palestrante respeitado, o jornal Cruzeiro do Sul é lido.
É triste, portanto, perceber que o pedantismo prospera.
Há, porém, pelo menos duas armadilhas que o pedante gosta de cair, por que supostamente estes recursos emprestam ao texto alguma erudição independente do conteúdo.
a) Inverter a ordem substantivo-adjetivo.
O pedante adora (mas adora) referir-se às coisas assim: fedido cocô, ilustre vagabundo, mole bunda, fartos seios, etc.
b) Nível
O pedante adora nível, nível para tudo. Nível para quem sobe, para quem desce, para quem segue em frente numa mesma altitude. O nível define o pedante.
Depois da excomunhão do “a nível de” (a cujo consenso quanto a sua impropriedade finalmente chegamos) o pedante ficou órfão da muleta que define tudo (a nível de preço do big mac) e passou a usar só nível. Nível pode, nível é legal, nível é bonito; essa paroxítona terminada em “l” que empresta à palavra cara de inglẽs resolve tudo.
Nível insuportável, nível excelente, o nível da campanha, como seu nível é baixo!
E quando mistura tudo então?
Inalcançável nível, insuportável nível e assim por diante.
Conclusão
Se você se deparar com estas características em algum lugar, fuja! Resumindo, se o texto se parece com discurso do Odorico Paraguaçu, uhm…