Fica muito fácil pespegar ao Serra a imagem de “privatista” – que soa pejorativa por aqui – principalmente com o presidente Fernando Henrique dando declarações como esta.
Olha, ninguém pediu minha opinião, mas cá do brejo eu não sou muito fã de empresas públicas operando em regime jurídico privado (produtividade venal, lucro, aquilo lá) porque não gosto de influências políticas em diretrizes técnicas e nem do robustecimento da legislação trabalhista (estabilidade, licença-prêmio, etc.) que elas ensejam.
Obviamente estes dois exemplos encontram casos em que uma solução foi encontrada, mas a discussão é estéril na medida em que ignora que a Constituição nacional tem natureza capitalista (uma vez que se asenta em conceitos como o da propriedade privada e da livre concorrência) e que a intervenção estatal no domínio econômico deveria sempre se dar por via de exceção.
A defesa das empresas públicas se assenta numa teoria econômica ultrapassada, num nacionalismo irrelevante que encara toda produção como esbulho e todo lucro como crime. Pois é, o lucro devidamente regulado e administrado por uma Receita técnica e capaz como a nossa é um mecanismo poderosíssimo de desenvolvimento.
Vou continuar por aqui, portanto, ouvindo os governistas acusando a oposição de “vendida” e “colonizada” enquanto ela não poderá se defender acusando o governo de “estatista” para não ter que entrar num mérito que ninguém entenderia.




Um artigo recentemente publicado na Foreign Policy encontrou o meio ideal para debater grandes questões norte-americanas sem perder o bom humor. Intitulado “Running the Table” (“fazendo a mesa” em tradução livre) o artigo tem a seguinte linha fina: Como quebrar seu tio num debate sobre política externa no jantar de Ação de Graças.