O tempo não passa

“A manutenção do envolvimento [eleitoral] popular em níveis baixos foi um traço constante da lógica do sistema político, monárquico ou republicano. A justificativa para tal procedimento entre os teóricos era a da qualidade do voto e da lisura nas eleições. A participação ampliada, sobretudo a do analfabeto, era considerada uma das principais causas da corrupção eleitoral pois, alegava-se, faltava a esta população condições de entendimento e de independência para exercer adequadamente a função do voto”.

em “Construção da ordem, teatro das sombras”.

O José Murilo de Carvalho, neste trecho, está tratando da política eleitoral do império no Brasil, no século XIX. Como se pode perceber, a natureza das críticas de determinados setores da sociedade (incluindo a esquerda radical e suas críticas ao bolsa-família) em relação à participação popular não mudaram desde então.

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