Facebook rehab

Diário de um viciado em Facebook

Achei que seria interessante registrar o passo a passo da minha recuperação do vício de Facebook. Sim, porque muito embora eu manifestasse todos os sintomas de uma pessoas “normal”, interagindo “normalmente” com as outras pessoas “normais” em meio eletrônico, acabei percebendo que o contato constante, a retroalimentação das notícias, o barulho constante da interpretação dos fatos e a alteração dos tempos vividos estavam me prejudicando muito mais do que eu poderia perceber. Pretendo explicar esses conceitos no decorrer do texto. Por hora basta a descrição do que já fiz.

Dia zero, 12 de maio de 2014:

Dei um jeito de encontrar substituições para os grupos que eu administrava e avisar os amigos mais próximos de que eu estava saindo. É curioso que na era da comunicação você seja obrigado a usar uma rede dentro da rede para informar as pessoas sobre o que que você pretende fazer. Enfim, com alguns avisos e alguns arranjos dei um clique em “desativar sua conta” só para receber a adorável notícia de que o Facebook não te dá o direito ao esquecimento (sua conta, na verdade, fica fazendo parte de um limbo, com um determinado nível de acessibilidade e disponível caso você pretenda voltar).

De qualquer forma “fechei a conta”, não sem antes sentir certo alívio, como se me livrasse de uma responsabilidade comigo mesmo. Enfim, não sei explicar.

Dia 1, 13 de maio de 2014:

A primeira sensação positiva é acordar e não ligar o aplicativo do facebook no celular para saber se alguém comentou, curtiu, compartilhou ou marcou você em alguma coisa. Sempre acontecia de que alguns desses eventos não fosse necessariamente positivo, o que significava a necessidade de uma certa higiene eletrônica, mesmo antes de levantar da cama. Hoje não foi assim. Acordei como quis, não havia nenhum perfil pra limpar logo cedo, não havia respostas a dar antes de abrir os olhos.

Fiz a minha aula de Yoga e li as minhas notícias pelas fontes RSS de sempre, sem prejuízo à qualidade da leitura. Sem a preocupação de compartilhar uma ou outra que transmitisse a impressão de que eu sou super antenado e falo esta ou aquela língua. Enfim, pela primeira vez em anos, li as notícias para mim mesmo.